SENSIBILIDADE ESTÉTICA DA PALAVRA ADEUS...

22218524_bZQ7l.jpeg 


 



Vou em viagens de sonho,

embrulhada em papel vintage

e num gesto de quem respira o mesmo ar

falo-lhe ao ouvido, em voz de cinema:

“O melhor de mim é a forma como gosto de ti.”



Tinha esquecido que qualquer gesto

está cheio de pequenos outros.



Dei o último suspiro.

Saí para a rua, como se fosse a primeira vez.



Não sei sonhar, nem amar,

nem dizer palavras de amor,

mas fico linda quando sorrio.



Gosto de respostas que calem a pergunta

e de mim quando solto o cabelo.



Temo que o tempo me traga saudades mortas

a escorrerem por todos os lados

principalmente por mim.



Ter cuidado com as palavras não significa ficar calada.

Arrumo as palavras numa folha de papel branco

que fecho dentro da gaveta ...

e deito a chave fora.



Vou-me despindo de ti... até ficar nua!

 

Comentários

  1. Gostei particularmente da respostas que calam as perguntas e do ter cuidado com as palavras não significa ficar calada.
    A sensibilidade do adeus está bem expressa entre a expressões inglesas "good bye" e "farewell"

    ResponderEliminar
  2. Mas falhava a estética, concordará certamente...

    ResponderEliminar
  3. Fico linda quando sorrio - é-me dificil explicar porque só vejo modéstia neste verso enganoso. Talvez porque esteja nele dito o mais importante da beleza desprendida.
    Mas gostei muito do poema in totu.
    Beijinho amiga Romi

    ResponderEliminar
  4. Não ter detectado um mistério qualquer, deixou-me deveras admirada (risos). Na foto, estarei a olhar para o passado ou para o futuro?
    Não precisa responder, estou só a meter-me consigo.
    Beijinho, meu amigo. E namore muito neste dia.

    ResponderEliminar
  5. Acho que vou namorar tanto como a minha amiga.
    Estas datas - "dias de" - passam-me ao lado.

    ResponderEliminar
  6. Anime-se, eu vou a um jantar do grupo "As Encalhadas", somo 17. Há lá coisa mais triste para se fazer no dia dos namorados? Eu sofro muito ...

    ResponderEliminar
  7. As palavras são tão diferentes umas das outras. Adeus, parece cortar como passado.
    Bonito poema, querida ROMI.
    Resto de bom dia dos namorados, em noite de lua-cheia.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  8. Obrigada, querido José. Beijinhos, bom fim de semana.

    ResponderEliminar
  9. Os sentimentos saem e não consegues controlá-los, Verdade? Não se escreve assim sem ter um cofre dentro, cheio de palavras que de vez em quando fogem do castigo e se soltam nos ares, livres para dizerem o que lhes apetece, que ainda por cima são sempre coisas bonitas.
    Maravilhoso! Beijinho

    ResponderEliminar
  10. A sensibilidade estética da palavra afinidade. Seria este o titulo para o teu comentário, que denuncia a escritora de excelência que és: "palavras que de vez em quando fogem do castigo e se soltam nos ares...". São estas frases que me inspiram e forram o cofre que referes.
    Muito obrigada.
    Beijinho

    ResponderEliminar

Enviar um comentário