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A dança do sono…

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  O sono baila airosamente. Débil, quase um pressentimento. Rascunhos de saudade emergem da solidão, e bocejam na memória da minha porta. O relógio, em vez de avé Marias, chora badaladas. Doze. Devagar, apagam-se os ruídos da cidade. Luzes piscam despedidas nas janelas entreabertas. Cada sombra sabe exatamente onde se deitar. Aninha-se o silêncio no dia adormecido. Os medos também precisam de descansar… Boa noite.

Contacto de emergência procura-se…

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Mais por hábito do que por necessidade, todos os anos compro uma agenda referente ao ano em curso. Preencho tudo ao pormenor. Aniversários, consultas, reuniões, coisas que tenho de fazer, coisas que não posso esquecer e outras que, invariavelmente, acabo por esquecer. Há, no entanto, uma linha que fica sempre em branco: Contacto de emergência. Há anos que essa parte deixou de ser preenchida. Na realidade, não tenho mesmo um contacto de emergência. Passamos tanto tempo a construir uma vida independente que, às vezes, nos esquecemos de que há momentos em que a independência tem o seu preço. Há dias em que precisamos simplesmente de alguém que diga "deixa estar, eu trato disso, eu estou aqui". Podia pôr A, B ou C. Mas, certamente, qualquer uma dessas pessoas já é o contacto de emergência de alguém. E de alguém de quem tem verdadeira responsabilidade. Não extensiva a mim, evidentemente. E isto fez-me pensar que contacto de emergência devia ser uma profissão. Uma coisa contratável...

Sexta, 28/08/2026

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Em Viseu, todas as sextas feiras, ao jantar, comíamos bola. Era o único dia em que eu cozinhava. Mantive o hábito por uns tempos. Hoje senti uma certa nostalgia. Lurdinhas, Mimi, Jorge e Pedro, caso mantenham o hábito, estamos em sintonia. Às vezes, trato-me tão bem que até tenho inveja de mim...

Agustina Bessa Luís...

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Este mês li vários livros de autores que já conhecia, mas também me estreei com Rita Ferro e Agustina Bessa Luís, duas autoras que conhecia apenas de referência, mas que nunca tinha lido. Gosto de Edgar Wallace, no entanto, não consegui chegar a meio de O Homem que Sabia; abandonei a leitura sem culpa. Há livros que, por muito que gostemos do autor, não nos agarram. Rita Ferro lê-se bem. Não é maçuda e o enredo de As Mulheres Não Choram é quase um déjà-vu. Uma leitura descontraída, simples e sem grandes sobressaltos. Agustina, em Fanny Owen , não me surpreendeu, porque não esperava menos. A elegância das palavras, a mestria da narrativa, a forma como constrói e conduz a história... Sem sombra de dúvida, isto é mesmo literatura. Resumindo: Rita Ferro entretém, para desacelerar. Agustina Bessa Luís desafia e permanece. E, naturalmente, já encomendei mais dois livros dela, A Sibila e A Dama do Paço . Porque há autores que lemos e outros que queremos continuar a descobrir.

História com final feliz…

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Fui protagonista na tua história de papel. Tropeçando nas vírgulas que me impuseste. Escondida nas entrelinhas. Sobrevivi à primeira página. Morri antes do fim. Abandonada numa frase por acabar. Engolida por um silêncio e em letra pequenina. Mataste-me com a pressa de um rascunho, rabiscado com lápis de ponta fina. E tiveste o teu final feliz. Imagem "Pinterest"

Porque eu gosto de pedras e minerais e outras coisas mais...

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  A expectativa: Pedra bruta de grão grande Labradorita de pedra bruta Lascas de Abalone Natural Iridescente : Pedra Bruta de Obsidiana com Veios de Floco de Neve: Pedras Brutas de Quartzo Transparente Branco : Pedras de Cristal Bruto Azul Escuro Cobalto : Cristal de Sunstone Natural : Pirita Natural : A realidade:

Uma requisição por cumprir...

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Encontrei este talão dentro de um livro. Garantidamente, não é uma requisição minha. Provavelmente,  o livro comprado em segunda mão ou alguém meu conhecido incumbiu-me, algures no tempo, de uma tarefa que nunca cheguei a cumprir. Não sei a história do talão, mas, ao encontrá-lo, veio-me uma imagem à memória. Coimbra: quatro estudantes a rir e a falar alto, um frango assado dividido entre eles e comido à mão, na rua Ferreira Borges, uma garrafa de litro de Coca-Cola e um rolo de papel higiénico a servir de guardanapos. A essência da juventude e da camaradagem universitária estava toda ali. Não havia artifícios nem etiquetas, a felicidade ali era pura, crua e despretensiosa. Pensei, um dia, replicar a situação. Não precisava de ser em Coimbra. Queria apenas partilhar com um grupo de amigos um frango assado e um rolo de papel higiénico, comer à mão e rir muito. Mas não tenho quem me acompanhe nesta loucura. E, quando tive, não surgiu a oportunidade ou não me lembrei. Diria que este t...

Às vezes, acontece...

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  Apetecia-me escrever. No entanto, reconheço que estou demasiado contundente para o fazer. Quando não temos nada de agradável para dizer, devemos ficar calados. É um lema que adoptei. E, com o tempo, aprendi que, quando não temos nada para dizer, também. Por isso, hoje não digo nada. Ainda que me apeteça. Ainda que tenha tanto para dizer. Talvez, por vezes, o silêncio seja a forma mais sensata de não dizermos aquilo de que nos poderemos arrepender depois. Hoje, a página fica em branco. 

Crónica de uma amizade improvável...

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Eu e a Sónia conhecemo-nos numa formação de trabalho. Nunca nos tínhamos visto. Os restantes colegas também não se conheciam entre si, mas, ao fim de pouco tempo, todos tinham a certeza de que nós éramos amigas de longa data. A cumplicidade nasceu ali, quase imediatamente. Trabalhamos em edifícios diferentes. Podia ter sido uma daquelas amizades que ficam associadas a uma formação, a algumas conversas e a um “qualquer dia temos de combinar qualquer coisa”. Não foi. Nunca perdemos o contacto. Esta semana, tivemos finalmente a oportunidade de trabalhar juntas. Foi uma semana incrível. A Sónia detesta papéis. Eu tenho uma relação de amor com eles, juntas conseguimos transformar uma tarefa em qualquer coisa parecida com diversão. Rimos, trabalhámos imenso. Sem grande esforço, acabámos por ser uma espécie de lufada de ar fresco para as restantes colegas do departamento. As horas de almoço também foram fantásticas. Conhecemos pessoas novas, conversas inesperadas, e até fizemos um piquenique ...

Ponto sem fuga...

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  Em gesto distraído inventa memórias. Tudo o mais é um mar de silêncio Onde se pescam gritos. É permitido dizer adeus sem enviar um beijo. E fecha a porta, com quem apaga uma vela E passa a velar-se a si próprio. Faz-se triste na solidão exposta. Ele, chora baixinho, porque ela não volta. Esvaída no perfume duma flor que murchou. Em gesto distraído inventa memórias Como quem desenha lágrimas, com lápis de ponta fina Numa página que se rasgou...