Mais por hábito do que por necessidade, todos os anos compro uma agenda referente ao ano em curso. Preencho tudo ao pormenor. Aniversários, consultas, reuniões, coisas que tenho de fazer, coisas que não posso esquecer e outras que, invariavelmente, acabo por esquecer. Há, no entanto, uma linha que fica sempre em branco: Contacto de emergência. Há anos que essa parte deixou de ser preenchida. Na realidade, não tenho mesmo um contacto de emergência. Passamos tanto tempo a construir uma vida independente que, às vezes, nos esquecemos de que há momentos em que a independência tem o seu preço. Há dias em que precisamos simplesmente de alguém que diga "deixa estar, eu trato disso, eu estou aqui". Podia pôr A, B ou C. Mas, certamente, qualquer uma dessas pessoas já é o contacto de emergência de alguém. E de alguém de quem tem verdadeira responsabilidade. Não extensiva a mim, evidentemente. E isto fez-me pensar que contacto de emergência devia ser uma profissão. Uma coisa contratável...