A CASA DA ALDEIA...


Não me imagino a viver na casa da aldeia, nem gosto de ir à aldeia. Deprime-me. Não gosto de acordar com os passarinhos, nem de adormecer com o irritante do grilo. Gosto de passarinhos e grilos, mas caladinhos. O que eu gosto mesmo é das osgas que habitam o anexo, a que chamo a casa do lume. E na casa do lume, verão ou inverno, há sempre uma ou duas osgas. 
Depois há o senhor que trata das parreiras e fica com as uvas, teima sempre em dar-me um garrafão de vinho. Só aceito a garrafa de bagaço. Pasme-se, gosto de bagaço. Depois há o senhor que trata das oliveiras, lá rejeito eu o garrafão de azeite. Mas gosto desta dinâmica da aldeia, de tratar do que é dos outros e apesar de  raramente lá ir , tem tudo um ar muito cuidado, como se a minha avó ainda respirasse. 

Estive há pouco tempo na casa da aldeia, há assuntos que só eu posso tratar e há situações recorrentes; A minha avó deitava-se muito cedo. Eu ficava na casa do lume, sozinha,  num serão que se alongava. Adoro serões. Quando regressava à casa "grande", tinha todo o cuidado ao abrir e fechar da porta. Todo o ruído em suspenso, até ao deitar, para não a acordar.

Passaram tantos anos e sempre que lá vou, dou por mim silenciosa, quase em apneia, até que acordam os pensamentos e me lembram, podes fazer barulho, ela já cá não está... 

 


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15069069_1289065324458365_886860052732878215_o.jpg Imagens do meu album A casa da Aldeia




Comentários

  1. É um voltar as raízes nem sempre desejado

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  2. Com que então nada de licor de anis, mas um bagacito, lá vai.
    Fizeste-me saudades, Romi. Adorei ir até à casa da tua avó. Gosto de sardaniscas, e ao contrário de ti, gostava dos grilos e acordar com o chilrear dos passarinhos. E da coruja, faz-me falta o piar nocturno da coruja. A única coisa que tenho a recordar bons tempos é o sino da igreja. De resto já não tenho nada disso, mas hei-de arranjar maneira de desencantar um casinhoto pequenino com um nico de erva e árvores.
    Um dia bom.

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  3. Ás vezes até sinto que sou injusta, mas sem a minha avó lá, a aldeia deixou de fazer sentido.
    Beijinho, Green

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  4. Não gosto de bebidas doces, quais abafados ou vinhos do Porto, um bom bagaço e se for de medronho tanto melhor. Xiuuuu, segredo só nosso...
    Eu gosto de carros a apitar, travagens bruscas, correrias. Na aldeia passa-se tudo em câmara lenta, um tédio. Mas, em relação à bicheza, dou nome aos grilos, o D. Frusky, e as ordens são, podem colher toda a fruta, mas deixem as do topo para os passarinhos comerem. E nada de espantalhos ou cd's para os afastar. Mas de manhã depenava-os todinhos
    Vais desencantar o casinhoto, sucesso nisso.
    Beijinhos

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  5. Ao contráriode ti, gosto das melodias dos passarinhos e não gosto do barulho das cidades. As pessoas da aldeia não devem compreender a tua preocupação com a alimentação dos passarinhos.
    Bom dia, Romi.
    Beijinhos

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  6. Elas gostam de acordar ao som do passarinho, mas alimenta-los está quieto (risos)
    Beijinhos, meu amigo. Um bom dia.

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  7. É engraçado porque também tenho uma casa de arrumos a que chamamos casa das osgas...mas não são duas que lá vivem....é para aí uma dúzia...e gostam de se aquecer na porta metálica quando lá dá o sol...

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  8. Pois, provavelmente até podem ser mais. Mas as que fazem serão comigo costumam ser duas e muito tranquilas. A porta também é metálica, mas fizeram daquela parede o picadeiro, nunca as vi noutro lugar.
    Obrigada pela partilha, é bom saber que não sou a única a estimar osgas.

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  9. E o céu cheio de estrelas que já não se vêem nos grandes centros urbanos, mas são tão bonitas nas noites beirãs?
    Mil vezes a passarada e os grilos, todos a cantar, às osgas que às vezes nos acordam, caídas dos tectos dos quartos em cima das camas...

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  10. As osgas são, de facto, muito caladinhas. Para além disso, animais muito dados a mitos. Provavelmente na tua aldeia também se conta a história da cafeteira de café...
    Noite boa!

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  11. Eu vivo num sitio privilegiado, tenho estrelas a orlar o Palácio da Pena, vou à janela e tenho todo um manto de estrelas só para mim. Agora, entre a passarada e grilos que não me deixam dormir e uma osga que me acorda, venha o diabo e escolha. Mas sou pela osga. Gosto de emoções fortes e levar com uma osga em cima deve ser uma emoção daquelas.

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  12. Não sei essa história da cafeteira, vou já investigar. Sabes que eu só ia à aldeia nas férias, as histórias que se contavam giravam à volta de mouras encantadas (risos).
    Beijinhos, uma boa noite.

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  13. Já eu, adoro as casas nas aldeias, e mesmo as refugiadas no meio do vazio...
    Osgas são excelente companhia, bagaço aquece a alma... mas o tinto, ai o tinto

    Um bom fim de semana e tal

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  14. Há sempre mistérios nas casas das aldeias...

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