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Conversa com os meus botões...

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A reler...        Isto não é desarrumação. A Aidinha não concorda comigo...     Adorei este documentário. Secretamente, tenho um fascínio pela excentricidade que caracteriza alguns pintores. Disse fascínio? Queria dizer inveja...   Agora vou jantar, encomendei uma pizza. O resto do serão vai ser passado a ouvir música. Tomara que chova...         

Retalhos de Um Serão...

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                O computador para ouvir música. Um livro para ler. Caderno e caneta fazem parte de qualquer cena que eu protagonize; são como os miúdos: "andam sempre atrás" . Aleatoriamente, a música Sebastien , dos Cockney Rebel. Sebastien reportou-me ao sr. Sebastião, vizinho da minha avó, que referia várias vezes ao dia que a Tézinha, vizinha da frente, era muito velhaquinha . Acho que o sr. Sebastião nutria um sentimento muito nobre pela Tézinha, mas não era correspondido. Porém, era a Tézinha que lhe valia em momentos de aflição. E mais não digo, que eu gosto de escrever no papel e só depois passar para o computador. Que comece o serão...      

SERÕES DA ALDEIA...

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Por norma, os serões na aldeia começam por volta das nove e prolongam-se até à meia-noite. Cada um traz a cadeira de casa e histórias para contar. Conforme vai escurecendo, as histórias vão ficando mais sinistras. É lançado o mote, desta vez pela Amelinha, que diz em tom baixo, mas de modo a que todos possam ouvir, olhando em volta garantindo que nenhum intruso se inteira da indiscrição: "Dizem que o ti Diogo é lobisomem." Ninguém ficou espantado, como se fosse do conhecimento geral. Uma outra senhora, cujo nome não sei, atirou: - "Dizem não! É lobisomem, que eu bem o vi. Uma noite ia com o meu Fernando para o pinhal e ele estava na clareira do Batista, de braços abertos, em tronco nu, e desata a galopar. Ficámos sem pinga de sangue, ele ia de olhos arregalados e nem nos viu."  Todos anuíram com a cabeça; garantidamente, o ti Diogo, era lobisomem. A ti Gracinda disse que uma vez foi visitá-lo, porque estava doente, e de vez em quando ele urrava e rangia os dentes. O...

A CASA DA ALDEIA...

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Não me imagino a viver na casa da aldeia, nem gosto de ir à aldeia. Deprime-me. Não gosto de acordar com os passarinhos, nem de adormecer com o irritante do grilo. Gosto de passarinhos e grilos, mas caladinhos. O que eu gosto mesmo é das osgas que habitam o anexo, a que chamo a casa do lume. E na casa do lume, verão ou inverno, há sempre uma ou duas osgas.  Depois há o senhor que trata das parreiras e fica com as uvas, teima sempre em dar-me um garrafão de vinho. Só aceito a garrafa de bagaço. Pasme-se, gosto de bagaço. Depois há o senhor que trata das oliveiras, lá rejeito eu o garrafão de azeite. Mas gosto desta dinâmica da aldeia, de tratar do que é dos outros e apesar de  raramente lá ir , tem tudo um ar muito cuidado, como se a minha avó ainda respirasse.  Estive há pouco tempo na casa da aldeia, há assuntos que só eu posso tratar e há situações recorrentes; A minha avó deitava-se muito cedo. Eu ficava na casa do lume, sozinha,  num serão que se alongava. Adoro serões. Quando regr...