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"The Cold Song"...

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     "The Cold Song", na interpretação de Nanette Scriba, não soa como uma canção, mas como um lamento congelado no tempo. É, no fundo, um grito de não querer voltar, preferindo o frio da morte ao calor do regresso. A música é gelada: no tom, no ritmo e até na forma como é cantada, quase como um lamento do além. Provoca-me um arrepio estranho, uma mistura de beleza, tristeza e desconforto, como se também eu tivesse acabado de ser arrancada da neve, sem vontade, sem força, só para sussurrar que preferia congelar novamente e assim permanecer.   Tradução (+ -)   "Que poder és tu, que do fundo Me fizeste erguer, contra a vontade e com lentidão, Das camas de neve eterna? Não vês como estou rígido, velho e estranho, Totalmente inapto a suportar o frio amargo? Mal consigo mover-me ou respirar... Deixa-me, deixa-me congelar novamente até à morte!"      

Não tenham medo do que não existe...

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Meus queridos, personagens inventadas por mim, estão reunidas todas as condições para o isolamento social — e ainda bem. Estava adoentada, não muito, fiquei a trabalhar a partir de casa, com refeições e medicamentos à distância de um clique , sem ter de sair do conforto do lar, incomodar o vizinho, o amigo ou o parente mais próximo, que vive a 8000 km de distância (e isto é rigorosamente verdade). Mas um mal nunca vem só; nisto os provérbios não falham. Claro que a pessoa não vai para nova, e as maleitas do passado atuam como um relógio, ainda que não haja mudança de tempo. No caso da minha avó, quando lhe doíam as cruzes, o tempo mudava. No meu caso, e só porque sim, o dedo que lesionei no basquete volta e meia desata a doer, e tenho de lhe pôr um aparato elástico para o apaziguar e adquirir alguma mobilidade — mas pouca. E cá vou, rodeada dos meus males menores e maiores, numa companhia improvisadamente feliz: Livros, música, filmes e ,claro, a minha gata.  E por falar em filmes...  ...

Retalhos de Um Serão...

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                O computador para ouvir música. Um livro para ler. Caderno e caneta fazem parte de qualquer cena que eu protagonize; são como os miúdos: "andam sempre atrás" . Aleatoriamente, a música Sebastien , dos Cockney Rebel. Sebastien reportou-me ao sr. Sebastião, vizinho da minha avó, que referia várias vezes ao dia que a Tézinha, vizinha da frente, era muito velhaquinha . Acho que o sr. Sebastião nutria um sentimento muito nobre pela Tézinha, mas não era correspondido. Porém, era a Tézinha que lhe valia em momentos de aflição. E mais não digo, que eu gosto de escrever no papel e só depois passar para o computador. Que comece o serão...      

Behind the Candelabra: My Life with Liberace (filme)

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Uma declaração de amor.  E quando um homem gosta de um homem o que se chama?  - Chama-se amor...           "Porque te amo? Amo-te não apenas pelo que és, Mas pelo que eu sou quando estou contigo. Amo-te não apenas pelo que fizeste de ti mesmo, mas pelo que estás a fazer de mim. Amo-te por ignorares as possibilidades do tolo em mim, e por aceitares as possibilidades do bom em mim. Porque te amo? Amo-te por fechares os olhos às discordâncias em mim. E por acrescentares música em mim através da escuta reverente. Amo-te por me ajudares a construir da minha vida não uma taberna, mas um templo. Amo-te porque fizeste tanto para me fazer feliz. Fizeste-o sem uma palavra, sem um toque, sem um sinal Fizeste-o apenas sendo tu próprio. Talvez afinal, isso é o que o amor significa. E é por isso que te amo." "Why do I love you? I love you not only for what you are, But for what I am when I'm with you I love you not only for what you have made of yourself, But for what you are mak...

O SENHOR DO CACHIMBO...

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Era costume fumar na janela da marquise, para ver o pôr do sol. Na varanda da vivenda em frente, um senhor, de meia idade, barba branca e ar distinto, fumava cachimbo. Se os olhares se cruzassem, dizíamos, imperceptivelmente, boa tarde e nada mais. Por norma, e para meu deleite, havia sempre uma música clássica no ar. Uma em particular que eu gostava muito, sabia que era do Pavarotti, mas não sabia o nome da ária.  Enchi-me de coragem e perguntei-lhe. Caruso, respondeu ele. A partir desse dia, sempre que eu ia à janela, ele punha Caruso. E eu agradecia-lhe com um acenar de cabeça e sorriso discreto. O senhor, não sei o nome, manteve o ar distinto, apesar de cada dia mais débil. Quando umas senhoras, vestidas de preto, encerraram de vez as portadas das janelas, deduzi que faleceu. Eu, em homenagem, continuo a ouvir Caruso. O senhor já não está. E mesmo que estivesse, não o poderia ver. Nem ao pôr do sol. As árvores do jardim de baixo cresceram imenso. De tal forma que quando vou à janel...