O SENHOR DO CACHIMBO...
Era costume fumar na janela da marquise, para ver o pôr do sol. Na varanda da vivenda em frente, um senhor, de meia idade, barba branca e ar distinto, fumava cachimbo. Se os olhares se cruzassem, dizíamos, imperceptivelmente, boa tarde e nada mais. Por norma, e para meu deleite, havia sempre uma música clássica no ar. Uma em particular que eu gostava muito, sabia que era do Pavarotti, mas não sabia o nome da ária. Enchi-me de coragem e perguntei-lhe. Caruso, respondeu ele. A partir desse dia, sempre que eu ia à janela, ele punha Caruso. E eu agradecia-lhe com um acenar de cabeça e sorriso discreto. O senhor, não sei o nome, manteve o ar distinto, apesar de cada dia mais débil. Quando umas senhoras, vestidas de preto, encerraram de vez as portadas das janelas, deduzi que faleceu. Eu, em homenagem, continuo a ouvir Caruso. O senhor já não está. E mesmo que estivesse, não o poderia ver. Nem ao pôr do sol. As árvores do jardim de baixo cresceram imenso. De tal forma que quando vou à janela, só vejo o cume das árvores. Mas gosto de acreditar, que o senhor do cachimbo está lá e que põe Caruso só para mim.
Eu quando ponho, é para os dois...
A música unío-vos para sempre.
ResponderEliminarBoa noite e beijinhos!
Há músicas que associamos a pessoas. É um facto.
ResponderEliminarBeijinhos, boa noite.
são as pequenas coisas que marcam, mesmo sem ligação conseguiram criar uma, e vai continuar a ser recordado por ti.
ResponderEliminarTem uma boa noite e um beijinho e boas melhoras.
Boa noite! Também funciono muito com a memória musical. Geralmente de forma agradável.
ResponderEliminarMas não faça a ligação Caruso/covid que é pena.
Beijinho.
É mesmo isso, Marco.
ResponderEliminarBeijinho, obrigada.
Caruso/SenhorDoCachimbo, Covid/Tédio assim é que é.
ResponderEliminarBeijinho
Olá Romi
ResponderEliminarUm dos comentadores aludiu, sagaz, no meu ponto de vista, a uma certa associação Covid/Caruso e que foi o meu pensamento quando a li...
Eu tenho a sensação, no meu caso concreto, que as pessoas que recordam com alguma saudade, estão dentro de mim, e enquanto viver e conseguir guardar as memórias da minha vida essas pessoas "vivem" dentro de mim!
Por outro lado, quando a estava a li, não sei porquê, tive a sensação que estava a começar a ler mais uma fantástica história policial do Georges Simenon, com aquele personagem tão sedutor e onde se mostra necessário que o nosso amigo Maigret desvende o seu passado, e o título podia ser: "O homem que ouvia Caruso", e o Simenon com o seu inseparável cachimbo!
Boa semana e rápidas melhoras
Que bela história, tão simples, tão bonita, ali ao virar da esquina...
ResponderEliminarObrigada, amiga. Beijinho grande
ResponderEliminarO aspecto era mais de Lobo do Mar, mas enquadrava-se nessa descrição. Hoje, não tenho como saber o que se passa naquela varanda, a foto é a visão que tenho quando vou à janela. Que mistérios ocultará...Hummm, parece-me um bom mote!!!
ResponderEliminarBeijinho, boa semana. Obrigada
Adoro Caruso!
ResponderEliminarDas poucas músicas que mexem com tudo o que sou : " quero-te tanto, sabes? Tanto mas tanto, sabes?"
Há lá coisa mais bonita
Temos tanto em comum, minha querida. Mais bonito, só mesmo esta amizade virtual, que tantos criticam e que eu valorizo imenso.
ResponderEliminarBeijinho, gosto mesmo muito de ti
Romi, gosto muito de ti desde as primeiras vezes que vim visitar o teu blog.
ResponderEliminarA nossa amizade, ainda que virtual tem um valor imenso. És muito doce
Gosto muito de ti