Em V…
Quando nos cruzamos, desfazem a formação e alinham-se em fila indiana, para logo depois retomarem o V. Bem-dispostos, ao fim de poucos encontros começaram a dizer «bom dia», em coro. Eu respondo, naturalmente. Depois, alguém se atreveu a um «como está?». E, aos poucos, foi escalando uma maior proximidade.
Foi então que mudei para o percurso superior, separado por um riacho.
Preveni-me.
Já vi casamentos começarem por menos. Primeiro, um cruzar de olhares. Depois, um «olá». Fala-se do tempo. A seguir, um café. E, quando damos por nós, estamos no altar, a dizer sim ao ganso líder, enquanto o gansinho das alianças se aproxima, solene, para nos pôr no dedo uma argola de ouro. Os restantes perfilam-se como testemunhas.
Cá coisas.
Além disso, o parque superior também tem os seus encantos. Não tem, é certo, o sorriso lindo, nem o metro e noventa do ganso líder.
Mas tem o mesmo riacho. Ora.
Os gansos sabem uma coisa que eu tantas vezes esqueço: juntos chegam mais longe. Revezam-se na liderança, amparam os que se cansam e não deixam ninguém para trás. Há momentos para liderar, momentos para acompanhar e momentos para abrandar ao lado de quem precisa.
E talvez aqueles cinco homens saibam disso. Ou talvez estejam apenas a fazer exercício.
Eu, por via das dúvidas, continuo no percurso de cima.

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