O Sossego das Cores...



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As cores desmaiam com a delicadeza que só as coisas cansadas sabem ter.

O mundo, exausto, quer retirar-se em silêncio. Há um rumor leve no ar, o último fôlego de um dia que persiste, teima em não querer partir. As sombras alongam-se devagar, tocam os muros, os rostos, as memórias. Tudo parece suspenso entre o ainda e o já não, entre o que foi e o que se despede sem alarde.

O tempo abranda, perde a pressa de existir. As vozes tornam-se ecos distantes, dissolvidos numa névoa húmida. Levanta-se o vento, que recusa ser pintado em repouso. Nesse instante quase imóvel, o ocaso, esbatido, parece adormecer dentro de si, embalado pela própria exaustão.

Esvai-se o dia, cansado. As cores começam a desbotar, transformando o mundo num esboço a carvão.

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