Balada de Outono...

 


Hoje, 23 de setembro, começou oficialmente o outono. Disse alguém.
O verão está de abalada, pensei eu.
Uma coisa levou à outra. E, quase sem dar por isso, fixei-me na Balada de Outono, do Zeca Afonso.

Sempre que se fala de outono, é desta balada que me lembro.
Talvez porque o outono tenha esta coisa de nos apanhar entre o que fica e o que parte. 
Entre os dias que ainda querem ser verão e as tardes que já começam a escurecer mais cedo.
Ou talvez seja simplesmente a voz, a letra, a música. 
A melancolia que esta balada me transmite. 
É o deixar-me ir. 
O querer ficar. 
O não saber muito bem de mim...

"Águas passadas do rio
Meu sono vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar(...)


Hoje começou oficialmente o outono.
E eu fiquei a pensar que há estações que não começam no calendário. Começam numa música.

Comentários

  1. Um dia depois (24) a vida já tem mais de outonal. Assenta-lhe melhor a balada de J. Afonso que nem precisa de falar no amarelecimento das folhas para nos preparar para a serenidade que se avizinha.
    Digo isto como um acto de fé no tempo tradicional, agora muito posto em causa pela meteorologia.
    Um abraço, Romi.

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    Respostas
    1. O melhor do outono são as baladas que inspira, as pinceladas que distribui pela natureza que dizem morta, as fintas que faz às previsões em bola de cristal e este hiato entre uma estação e outra, não se identificando inteiramente com nenhuma.
      Chega quando quer, demora o que lhe apetece e, entre uma previsão e outra, vai pintando o mundo à sua maneira.
      Um abraço, João Afonso.

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