Reflexo da ausência ...

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Hoje, um avião sobrevoou a casa com um barulho ensurdecedor.

Corri, instintivamente, para a minha gata. Queria protegê-la, como sempre, do medo que os ruídos lhe traziam. Mas ela não estava.

 


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Não abriu os telejornais.

Não foi notícia de primeira página

Nem mereceu um canto discreto na capa dos jornais.

Ninguém soube.

Ninguém se importou.

Como se fosse coisa pouca.

E eu, destroçada, sem ela para me consolar.

A morte, impiedosa, resgatou-ma.

E eu, impotente, limitei-me a vê-la partir

em forma de alma gentil ...

ficando eu cá na terra sempre triste...

 



Esbarro na sua ausência.

Apesar de a sentir pela casa toda.

Tinha o dom de preencher silêncios.

De se enroscar nas minhas rotinas.

Onde arrumo isto que sinto?

Como me dispo desta saudade, imensa, sem retorno?

Como se faz? Eu não sei.

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