Diz-se que um livro não se deve escolher pela capa. Eu compro livros pela capa, pela contra capa, pelo título, pelo escritor, pelo editor, pelo preço, pelo sim, pelo não. Enfim, compro livros por tudo e por nada. Sou viciada em comprar livros. E justifico-me: sei lá se no futuro terei dinheiro para os comprar. Como se eu acreditasse no futuro. Acredito no dia de hoje e é nele que invisto para me fazer feliz. Depois, caso não tenha dinheiro para livros, roubo-os. A outra também roubava livros e teve direito a um livro publicado e a um filme (A Menina que Roubava Livros de Markus Zusak). A Velhinha que Roubava Livros também me parece um bom título. Isto para dizer que comprei "Crime e Castigo" pela capa. Até porque já li e tenho o livro. Mas não resisti ao Grito de Edvard Munch. E não resisti à "A Noite" do meu querido Manuel António Pina. Tentei, sem êxito, resistir a José Jorge Letria e confesso que todas as tentativas de lhe resistir são ignoradas com sucesso. Q...
Os meu votos de Natal, para além da saúdinha, paz e amor, é que a vossa balança tenha mais espírito natalício do que a minha, estou farta de comer doces e não consegui emagrecer um único quilinho. Noite de Natal. Rejeitados e devidamente agradecidos todos os convites para passar a noite em casa alheia (eu sou uma pariga séria). A habitual troca de doces com a vizinha do lado. Silencio o telemóvel. O som das mensagens natalícias, em catadupa, fazem lembrar badaladas. Temo que os fiéis se confundam e pensem que é aqui a missa do galo. Vestida a rigor, pijama. Mas não é um pijama qualquer, comprado na loja do chinês, tem uma estrela e tudo. Mantenho a tradição, pizza. Há quem coma bacalhau com couves, nunca vou perceber porquê, a tradição já não é o que era. A vantagem de ser sozinho é que temos toda uma mesa só para nós. A desvantagem é não conseguir abrir a garrafa de champanhe, nada que um saca rolhas não resolva. Fica a prova que passar o Natal sozinha também tem os seus enca...
Hipotético ou irreal, como uma balada no conjuntivo... Partiu-se em dois o destino, como uma tarde de setembro. Num silêncio de sepulcro, ergue-se, sombrio, o espanto. Passaram negras as horas, e negra é a ausência sem cor. Ecos tristes das memórias assombradas, na previsão que se inventa, anunciam que os fantasmas também têm sentimentos. Com que desprezo me lembro de que o tempo não para, nem abranda nas curvas. Segue fluido, sem epígrafe, com um brilho estranho que não se vê. Eu só queria contar as sílabas que contêm um longo adeus. Logo eu... que não sei sentir saudades.
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