O meu Conde...

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Em arrumações, o quarto que era da Luna.



A caixa das fotografias, que guardo sem qualquer significado. Passado morto.

Sempre quis entender as pessoas que têm fotos espalhadas pela casa.

Penso desfazer-me de umas quantas: as memórias felizes não me tornam mais feliz.

Lei do desapego, é este o espírito em dia de arrumações.



Eu e o MJ debaixo de um moinho, no parque de campismo da Ericeira.

De Porto Côvo.

De Algeciras.

CCL.

Eu e o MJ gostávamos muito de acampar, concluo. Lixo.

A festa de aniversário de A, B, C… até ao fim do abecedário. Lixo.

Chuva de arroz e pétalas abate-se, num agouro de felicidade, sobre os noivos à saída da igreja. A, B, C… até ao fim do abecedário. Lixo.

Lixo.

Lixo.



A caixa quase vazia.

E surge a Foto.

Uma amizade improvável, marcada por uma diferença de quarenta anos. Talvez mais.

Suscitou dúvidas. Gerou rótulos. Como se fosse mais uma Lolita de Vladimir Nabokov.

A nossa cumplicidade, tranquila, ignorou-os.

Meu salvador.

Meu confidente.

Ríamos. Conversávamos. Passeávamos. Muito.

Foi o único a quem permiti ler as minhas primeiras histórias e os primeiros poemas.

Ficou com alguns rascunhos em papel.

O Amigo.

Pudesse eu, numa palavra, transmitir todo o carinho quando o vejo, em pensamento, triste, por já não estar à distância de um abraço.

O Conde.



O meu Conde…
















 

 







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