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O meu Conde...

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    Em arrumações, o quarto que era da Luna. A caixa das fotografias, que guardo sem qualquer significado. Passado morto. Sempre quis entender as pessoas que têm fotos espalhadas pela casa. Penso desfazer-me de umas quantas: as memórias felizes não me tornam mais feliz. Lei do desapego, é este o espírito em dia de arrumações. Eu e o MJ debaixo de um moinho, no parque de campismo da Ericeira. De Porto Côvo. De Algeciras. CCL. Eu e o MJ gostávamos muito de acampar, concluo. Lixo. A festa de aniversário de A, B, C… até ao fim do abecedário. Lixo. Chuva de arroz e pétalas abate-se, num agouro de felicidade, sobre os noivos à saída da igreja.  A, B, C… até ao fim do abecedário. Lixo. Lixo. Lixo. A caixa quase vazia. E surge a Foto. Uma amizade improvável, marcada por uma diferença de quarenta anos. Talvez mais. Suscitou dúvidas. Gerou rótulos. Como se fosse mais uma Lolita de Vladimir Nabokov. A nossa cumplicidade, tranquila, ignorou-os. Meu salvador. Meu confidente. Ríamos. Conversávamos. ...

Voltar atrás, alterar o que não ensina...

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  O passado é imutável, mas nem todos se conformam com isso. Para alguns, os erros são lições, degraus necessários. Mas há quem sinta o contrário. Certas dores não ensinam, apenas doem. Éramos cinco ao jantar. O passado veio à baila. Ninguém mudava nada, caso pudesse. Todos os erros foram lições, crescimento. Há pessoas que valorizam particularmente a aprendizagem que nasce das falhas, dos tais erros, como se o sucesso e as vitórias não oferecessem o mesmo nível de conhecimento ou crescimento pessoal. Eu, a única a discordar. Mudaria tudo. Até o almoço da véspera, e o pequeno almoço do dia. Era a oportunidade de viver tudo de maneira diferente. Outra versão de mim, outros caminhos, outras histórias. Editar escolhas.  Até o passado delas, eu mudaria. Os erros não me ensinam nada. Não é com eles que quero aprender. Se o tempo voltasse atrás, a urgência maior seria silenciar as dores que ainda ecoam. Proporcionar-me-ia o que, por medo, me privei de viver, de ter, de arriscar ... Ir-me-ia ...

Nota de Rodapé...

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  Contei, um a um, todos os pingos da chuva, só para te agradar. Pintei, a preto e branco, as 7 cores do arco íris, só para te agradar. E dizes que não é amor... Amei-te em pensamento, em cada palavra escrita. Mudei o rumo aos dias, despojei-me do passado, fiquei apenas com o amanhã. Só para te agradar. E dizes que não é amor... O que é, então, este vazio quando partes, se dizes que não é amor? Eu sei. É esta estranha forma de ser e de amar, que apenas sobrevive na ausência. Conheço de cor o soneto da separação. E a nota de rodapé, em letras pequeninas: "Este sentimento  autodestruir-se-á quando retribuído." "De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma"   Eu sei. Não é amor.

EM QUEDA LIVRE...

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  Perco-me em pensamentos numa pausa para doer. Há momentos que desabam sem pontuar... como se todas as sílabas devessem voar juntas. Sei gostar do passado, mesmo quando ele dói. Mesmo quando digo vou e ninguém responde.   O desencanto do presente não chega a ser revolta. É uma mão cheia de coisas que desacontecem.  Mas nada interessa, quando tudo o que perdi foi a meu favor...   Imagem "Woman at the window"  Pablo Picasso (pinterest)