Amigos improváveis...
Eu e Camilo Castelo Branco não somos os melhores amigos. E, no entanto, tento tanto sê-lo. Nunca jantou comigo, é certo. Também não o reservo para os serões. Guardo-o para as viagens, porque aí não posso pô-lo de parte e pegar noutro livro. Mas põe-me os nervos em franja.
Quando um início me conquista, congratulo-me: “Eu sabia que ia gostar de um livro seu, Sr. Camilo.” Mas logo me arrependo. Sofro horrores no caminho até ao fim. E, apesar de tudo, volto sempre. Porque há algo que me desafia, que me exaspera, que me faz insistir e continuar a comprar os seus livros. Há, em Camilo, uma força impossível de ignorar.
Vulto enorme da cultura portuguesa, um escritor que viveu à flor da pele, que traduziu em palavras as paixões e as dores humanas como poucos.
Se ao menos me levasse pela mão, em vez de me arrastar por labirintos de frases tortuosas e desabafos cáusticos. Mas talvez seja essa a sua essência. Camilo não facilita, nem na vida, nem na literatura. E eu, teimosa, continuo a dar-lhe novas oportunidades.
"A Viúva do Enforcado”. A última aquisição. Viajámos juntos e até correu bem. Companhia de excelência. Quase amigos...
Há torturas doces e acabamos sempre por sair pouco magoados. Tenho o mesmo problema com saramago mas lá ou lendo de tempos a tempos e até adorei a jangada de pedra.
ResponderEliminarEu comecei a gostar de Saramago quando li "As intermitências da Morte", recomendo. O Memorial do Convento, foi um dilema. Não conseguia passar da página 50. Hoje é um dos livros da minha vida. Com Camilo, estou quase lá.
ResponderEliminarOs livros dele têm a marca do seu sofrimento, não teve uma vida fácil.
ResponderEliminarEm breve serão bons amigos.
Boa noite e boa semana, querida amiga ROMI.
Beijinhos
Não vou desistir desta amizade.
ResponderEliminarBeijinho, querido José.
Boa semana, meu amigo.
Gosto muito do amigo Camilo. Há anos que não leio nada dele. O primeiro foi "O amor de perdição" e descobri uma bonita história que julgava maçadora (culpa de Manuel de Oliveira). Depois foram mais alguns, e depois outros se meteram à frente. Pois é, ele é meu amigo.
ResponderEliminarUm beijinho grande
Estava saudoso dos vossos textos, Romi! De Camilo li apenas Amor de Perdição, leitura obrigatória do colégio, mas quando visitei a Lello (como bom turista) havia uma exposição sobre Camilo com o manuscrito de Amor de Perdição e deu-me vontade de reler a obra.
ResponderEliminarEu comecei a ler Camilo muito nova, devia ter 11/12 anos quando li o Amor de Perdição, e às escondidas da minha madrasta. Voltei a ler no secundário e sempre me foi difícil concentrar-me nos livros dele. Volto atrás 500 vezes (burraaaaaa....), mas aos poucos vou chegar lá.
ResponderEliminarTenho orgulho na vossa amizade
Beijinho grande, Isabel
Falha minha, nunca visitei a Lello. Eu já li vários livros dele, reconheço-lhe todo o mérito, mas não é o meu escritor de eleição, apesar do orgulho enorme.
ResponderEliminarObrigada pelas palavras Pedro. Um abraço.
Ontem deram dois documentários, na RTP3, sobre Camilo Castelo-Branco.
ResponderEliminarAltamente aconselhável.
Fica, porque não consegui encontrar os ditos episódios, esta conversa.
https://www.rtp.pt/play/p10129/e836629/radicais-livres-3-a-serie
Cordiais saudações, Romi.
Muito obrigada, vou ver atentamente.
ResponderEliminarUm abraço. Boa semana.