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Amigos improváveis...

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  Eu e Camilo Castelo Branco não somos os melhores amigos. E, no entanto, tento tanto sê-lo. Nunca jantou comigo, é certo. Também não o reservo para os serões. Guardo-o para as viagens, porque aí não posso pô-lo de parte e pegar noutro livro. Mas põe-me os nervos em franja. Quando um início me conquista, congratulo-me: “Eu sabia que ia gostar de um livro seu, Sr. Camilo.” Mas logo me arrependo. Sofro horrores no caminho até ao fim. E, apesar de tudo, volto sempre. Porque há algo que me desafia, que me exaspera, que me faz insistir e continuar a comprar os seus livros. Há,  em Camilo, uma força impossível de ignorar. Vulto enorme da cultura portuguesa, um escritor que viveu à flor da pele, que traduziu em palavras as paixões e as dores humanas como poucos. Se ao menos me levasse pela mão, em vez de me arrastar por labirintos de frases tortuosas e desabafos cáusticos. Mas talvez seja essa a sua essência. Camilo não facilita, nem na vida, nem na literatura. E eu, teimosa, continuo a dar-l...

SALPICOS DE MAR...

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"Ainda um dia viverei num lugar em que o único barulho será o das gaivotas e das ondas do mar." Michael Hayssus   Pegar na trouxinha e assentar arraiais num único sítio (em tempo de férias), não é para mim. Dizem-me : "mas assim passas a maior parte do tempo em viagem".  E eu raladinha! Os hotéis na Ericeira estavam a um preço incomportável. Mafra, a dez minutos de distância, foi a opção, mas só para dormir. Eu adoro voltar aos sítios onde já fui feliz e há muito que não voltava à Ericeira. Em cada recanto há salpicos de beleza. Há cheiro a mar. As gaivotas. Ai as gaivotas...  Michael Hayssus, meu querido, ias ser feliz aqui...                Convento de Mafra.   O guardião do parque de estacinamento do hotel.   "(...)  Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não." Sophia de Mello Breyner Andresen  FOTOS BY ME   

VIAJAR COM DESTINO...

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  Não há pacotes de férias para quem viaja sozinho. E quando há, paga-se sempre uma taxa adicional que pouco compensa. Numa qualquer deslocação, mesmo em conceito de trabalho, à pessoa que viaja sozinha, a estadia é sempre cobrada em quarto duplo. Como se as pessoas fossem obrigadas a andar aos pares. Há uns anos caí na tentação de levar uma amiga, um destino demasiado caro, mas dividido ficava mais suportável. Claro que me arrependi, fazer cerca de 8000 km para passar a maior parte dos dias na praia, porque a "pequena" tem o culto do bronze. Toda uma cultura para desbravar, caminhos para conhecer até me perder, desperdiçados. Felizmente tive a possibilidade de lá voltar, e recuperei o que tinha perdido.  Eu adoro praia, mas nas minhas escapadinhas não são o foco principal. E dizem-me, " ir ao Algarve e não ir à praia, é como ir a Roma e não ver o Papa."  Pois, mas eu quando vou a Roma não é para ver o Papa. A não ser que me arranjem um pacote de férias individual e...