E eu ...

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E eu


Vestida de negro, como a noite,

Não por morte ou desgosto.

É uma pretensão analfabeta, 

Uma crença devocional

que me rasga e amarrota

 como se eu fosse papel.

 

E eu

 


Vestida de negro, como uma sombra,


Não por negligência ou engano

É  como uma paixão que se dança

Que amadurece e se expande 

Na berma de um presságio triste.

 

E eu

 

Vestida de negro, como o silêncio,
Não por escolha ou acaso.
É um eco que me habita,
Um murmúrio que se enrola,
Resiste e esmorece

Na perpendicular de uma prece.

 

Foto Praia Grande

 

 

 

 

 

 

Comentários

  1. Um lindo poema e uma fotografia de um local que conheço muito bem.
    O que nos diz tem sempre a ver com alguns de nós.
    Neste caso tem muito a ver comigo.
    Tantas vezes que aí fui passear com o meu marido.
    Agora visto-me de negro.
    Não por escolha, não por acaso.
    Por desgosto.
    Uma parte de mim foi com o meu companheiro .
    E o meu tempo é feito de silêncio e mágoa.
    Mena

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  2. Um abraço solidário por toda essa dor. Nada do que eu diga a pode confortar, faça o seu luto, mas não passe a habitá-lo. Não se demore. Eu só visto preto e branco. Fiel a uma espécie de luto que para sobre mim.
    Um beijinho

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