E eu ...

E eu
Vestida de negro, como a noite,
Não por morte ou desgosto.
É uma pretensão analfabeta,
Uma crença devocional
que me rasga e amarrota
como se eu fosse papel.
E eu
Vestida de negro, como uma sombra,
Não por negligência ou engano
É como uma paixão que se dança
Que amadurece e se expande
Na berma de um presságio triste.
E eu
Vestida de negro, como o silêncio,
Não por escolha ou acaso.
É um eco que me habita,
Um murmúrio que se enrola,
Resiste e esmorece
Não por escolha ou acaso.
É um eco que me habita,
Um murmúrio que se enrola,
Resiste e esmorece
Na perpendicular de uma prece.
Foto Praia Grande
Um lindo poema e uma fotografia de um local que conheço muito bem.
ResponderEliminarO que nos diz tem sempre a ver com alguns de nós.
Neste caso tem muito a ver comigo.
Tantas vezes que aí fui passear com o meu marido.
Agora visto-me de negro.
Não por escolha, não por acaso.
Por desgosto.
Uma parte de mim foi com o meu companheiro .
E o meu tempo é feito de silêncio e mágoa.
Mena
Um abraço solidário por toda essa dor. Nada do que eu diga a pode confortar, faça o seu luto, mas não passe a habitá-lo. Não se demore. Eu só visto preto e branco. Fiel a uma espécie de luto que para sobre mim.
ResponderEliminarUm beijinho