E eu ...
E eu Vestida de negro, como a noite, Não por morte ou desgosto. É uma pretensão analfabeta, Uma crença devocional que me rasga e amarrota como se eu fosse papel. E eu Vestida de negro, como uma sombra, Não por negligência ou engano É como uma paixão que se dança Que amadurece e se expande Na berma de um presságio triste. E eu Vestida de negro, como o silêncio, Não por escolha ou acaso. É um eco que me habita, Um murmúrio que se enrola, Resiste e esmorece Na perpendicular de uma prece. Foto Praia Grande