Leitora de Sótão...
Século XIX. “As escritoras de sótão”, uma sociedade que reprovava e desvalorizava a expressão literária feminina, levava a que escritoras como Charlotte Bronte, Emily Bronte, Mary Shelley, Louisa May Alcott, entre outras, escrevessem às escondidas. Simbolicamente como se estivessem confinadas a um sótão. Chegavam a escrever e a publicar sob pseudónimos masculinos.
Por vezes, sinto-me uma "leitora de sótão" pelo mesmo motivo: a necessidade de ler certos livros longe de olhares inquisidores. Ler às escondidas.
Quando era miúda, compreendo que o meu pai ou a minha madrasta não quisessem que eu lesse obras como "O Conde de Monte Cristo" e "Os Miseráveis" aos 10 anos, ou "O Exorcista" aos 11. Mas li, "no sótão".
Fui à minha livraria preferida em Paço D’arcos. Claro que não quis o sugerido saco plástico. Se há coisa que gosto é de exibir a minha catrefada de livros, como quem exibe o bem mais luxuoso. Depressa percebi que há livros que só vou poder ler no sótão, longe do olhar crítico.
A leitura é uma ferramenta essencial para entender a história, o pensamento e as ideologias que moldaram o mundo. Gente obtusa não consegue perceber isso.

Concordo! É importante lermos autores diferentes para termos diferentes perspetivas do mundo, e também para nos conhecermos a nós próprios e aos outros, e de como chegámos até aqui.
ResponderEliminarPor causa do sótão é que temos a extrema-direita a ganhar poder. É de ler bem às claras, só assim se pode compreender a história...
ResponderEliminarA Feira do Livro ocupou a Avenida da Liberdade, poucos anos. Saía do trabalho, corria avenida abaixo, por entre as bancas a ver o livro do dia, que eram os mais baratos. Comprei um livro, de que gostei, comecei a lê-lo no comboio, só quando soube que o autor era homossexual é que percebi os olhares inquisidores.
ResponderEliminarBom resto de dia querida, ROMI!
Beijinhos
Eu gosto de ler, tive curiosidade e comprei. Se fossemos aquilo que lemos eu só lia historias de encantar e era uma princesa.
ResponderEliminarBeijinho, obrigada
Estes foram lidos no "sótão". As pessoas andam tão descompensadas que é melhor não arriscar.
ResponderEliminarObrigada, um abraço.
O preconceito é uma coisa terrível.
ResponderEliminarObrigada pela sua partilha, querido José. Um beijinho.
E vivam as leitoras (escritoras) do sótão.
ResponderEliminarHá pouco via um filme "Boulevard" na televisão, e o meu marido atendia um telefonema e fazia outro, quando reparei que sou igual a ver um filme ou a ler um livro, quero sossego e se estiver sozinha, tanto melhor. Chego a ralhar com quem mexa no telefone sem motivo.
Um beijinho
Eu acho que não percebeste o contexto (perdida de riso).
ResponderEliminarBeijinho
Sim, entendi, mas adorei o título que me levou ao romanticismo da escrita (leitura) longe do olhar de terceiros, elas por um motivo, eu por outro.
ResponderEliminarUma pessoa ter de se esconder para poder ler ou escrever, é muito redutor. Tirando isso, adorava ter um sótão, mas sem teias de aranha ...
ResponderEliminarTodas essas 'voltinhas' a evitar olhares críticos alheios garantem-nos o valor que a leitura tem para nós 📚
ResponderEliminarE havia o extraordinário Index, onde figuravam todos os livros não aprovados pela Igreja. Por exemplo, O Crime do Padre Amaro.
ResponderEliminarClaro, tal estigma só aguçava a vontade de ler.
Mas fico admirado por levar de empreitada Os Miseráveis aos 10 anos. De
Depois a gente vê tudo isso reflectido na sua escrita. Gosto dela e da autora. Um beijinho Romi
Bem observado, eu não diria melhor.
ResponderEliminarNão me deixavam brincar na rua, eu lia os livros de "mesinha de cabeceira" deles. Claro que mais tarde descobri a nobre arte de saltar pela janela.
ResponderEliminarNão sabia do Index, pelo menos o nome parece-me estranho. Sei que havia imensos livros censurados. Livros e não só.
Gosto que goste. Obrigada.
Beijinho, João Afonso.
Nunca tive de «ler no sótão», mas compreendo o sentimento...
ResponderEliminarAchei curioso o «Jane Eyre» meio escondidinho por baixo dos outros três relacionados com o Holocausto: realidades e épocas tão diferentes
Bom fim de semana Romi.
Olá, querida Isa.
ResponderEliminar"Jane Eyre", escrito por Charlotte Bronte, umas das escritoras de sótão, mencionadas no poste, e em quem me inspirei para me autointitular leitora de sótão. É essa a ligação.
Beijinho, bom fim de semana.
Sim, isso eu percebi. Conheço o romance e a trágica história dos 6 irmãos Brontë. As manas Emily e Charlotte publicaram ambas sob pseudónimos masculinos .
ResponderEliminarMas olhando para a imagem separada do texto, é um conjunto inesperado.
Gosto de conjuntos inesperados
Tens razão, também gosto
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