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História com final felizl ...

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Fui protagonista na tua história de papel. Tropeçando nas vírgulas que me impuseste. Escondida, nas entrelinhas. Sobrevivi à primeira página. Morri antes do fim. Abandonada numa frase por acabar. Engolida por um silêncio e em letra pequenina. Mataste-me com a pressa de um rascunho, rabiscado com lápis de ponta fina. E tiveste o teu final feliz.

"As Cores do Fogo"...

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  Adoro as minhas tardes de domingo, amarfanhada no sofá, rodeada de gulodices e a ver filmes. Principalmente no inverno. Toda a gente sabe que o tempo não anda lá muito certo.  "As Cores do Fogo". Uma adaptação do bestseller de Pierre Lemaitre, um filme que gostei de ver. A história é rica em detalhes históricos e sociais.  Destaco a cena — que, para mim, foi o ponto alto do filme — em que Solange Gallinato, interpretada por Fanny Ardant, canta provocativamente para Hitler. Um momento dramático que ilustra a coragem e a resistência da personagem diante de uma figura tão temida.    Porque a vida não é só feita de livros... 

Leitora de Sótão...

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Século XIX. “As escritoras de sótão”, uma sociedade que reprovava e desvalorizava a expressão literária feminina, levava a que escritoras como Charlotte Bronte, Emily Bronte, Mary Shelley, Louisa May Alcott, entre outras, escrevessem às escondidas. Simbolicamente como se estivessem confinadas a um sótão. Chegavam a escrever e a publicar sob pseudónimos masculinos.    Por vezes, sinto-me  uma "leitora de sótão" pelo mesmo motivo: a necessidade de ler certos livros longe de olhares inquisidores. Ler às escondidas. Quando era miúda, compreendo que o meu pai ou a minha madrasta não quisessem que eu lesse obras como "O Conde de Monte Cristo" e "Os Miseráveis" aos 10 anos, ou "O Exorcista" aos 11. Mas li, "no sótão". Fui à minha livraria preferida em Paço D’arcos. Claro que não quis o sugerido saco plástico. Se há coisa que gosto é de exibir a minha catrefada de livros, como quem exibe o bem mais luxuoso. Depressa percebi que há livros que só...

SERÕES DA ALDEIA...

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Por norma, os serões na aldeia começam por volta das nove e prolongam-se até à meia-noite. Cada um traz a cadeira de casa e histórias para contar. Conforme vai escurecendo, as histórias vão ficando mais sinistras. É lançado o mote, desta vez pela Amelinha, que diz em tom baixo, mas de modo a que todos possam ouvir, olhando em volta garantindo que nenhum intruso se inteira da indiscrição: "Dizem que o ti Diogo é lobisomem." Ninguém ficou espantado, como se fosse do conhecimento geral. Uma outra senhora, cujo nome não sei, atirou: - "Dizem não! É lobisomem, que eu bem o vi. Uma noite ia com o meu Fernando para o pinhal e ele estava na clareira do Batista, de braços abertos, em tronco nu, e desata a galopar. Ficámos sem pinga de sangue, ele ia de olhos arregalados e nem nos viu."  Todos anuíram com a cabeça; garantidamente, o ti Diogo, era lobisomem. A ti Gracinda disse que uma vez foi visitá-lo, porque estava doente, e de vez em quando ele urrava e rangia os dentes. O...