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Sintaxe da Fuga…

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  Num esforço semântico quis escrever um poema de amor. Completo. Velas. Flores. Corações. O fogo que arde sem se ver. O contentamento descontente. Mas, num impulso, o amor rasga o papel. Sai do poema. Não por erro ortográfico, nem por cansaço. Foge do poema para fugir de mim. E o que fica é o nó desfeito. O papel vazio. Um poema mutilado.                                                                                                                                                                                                                                                                     Imagem Pinterest    

“I know not what tomorrow will bring.” ...

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  Há tempos, tomamos o pequeno almoço juntos e segredou-me ao ouvido:   "... Não tenho ambições nem desejos Ser poeta não é uma ambição minha É a minha maneira de estar sozinho."   Claro que ficámos amigos ...     E ontem jantou comigo, cuidou de mim. Como se fosse o meu melhor amigo.      Para além do livro (prosa) que estou a ler, todos os dias leio poesia, nem que seja um só poema. Abro o livro ao acaso, não sigo a regra rigida de começar na primeira página. Curiosamente, não sei bem porquê,  neste livro de Fernando Pessoa,  é sempre na página 64/65. A "Ode Marítima". Não posso dizer que é o meu poema preferido de Fernando Pessoa, porque na poesia dele tenho poemas que gosto menos, mas não consigo escolher o favorito. É impossível resistir a este, e leio-o tantas vezes que quase o sei de cor. Principalmente esta parte:   (...)   Ah, todo o cais é uma saudade de pedra! E quando o navio larga do cais E se repara de repente que se abriu um espaço Entre o cais e o na...

O sabor das palavras...

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Nuno Júdice. Porque hoje não me apeteceu jantar sozinha, acompanho-o nessa tentativa de guardar o impossível. A solução encontrada: a estrela brilha no poema, transformada pelo poder das palavras.  Que prazer jantar consigo, meu querido Nuno Júdice. Num gesto altruísta, partilho um pouco dessa companhia.        ASTRONOMIA  "Vou buscar uma das estrelas que caiu do céu, esta noite. Ficou presa a um ramo de árvore, mas só ela brilha, único fruto luminoso do verão passado. Ponho-a num frasco, para não se oxidar; e vejo-a apagar-se, contra o vidro, à medida que o dia se aproxima, e o mundo desperta da noite. Não se pode guardar uma estrela. O seu lugar é no meio de constelações   e nuvens, onde o sonho a protege.   Por isso, tirei a estrela do frasco e meti-a no poema, onde voltou a brilhar, no meio de palavras, de versos, de imagens."   Volta até mim no silêncio da noite "Volta até mim no silêncio da noite a tua voz que eu amo, e as tuas palavras que eu não esqueço. Volta at...

"TUDO EM SINTRA É DIVINO, NÃO HÁ CANTINHO QUE NÃO SEJA UM POEMA”

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"TUDO EM SINTRA É DIVINO, NÃO HÁ CANTINHO QUE NÃO SEJA UM POEMA” EÇA DE QUEIRÓS, OS MAIAS.   Acordar cedo. Sintra ali ao lado. Ainda adormecida, envolta na capa de neblina mística ou romântica, que se vai desvanecendo lentamente, mas só às vezes.  E eu ali. Ninguém me viu e eu não vi ninguém.        Fotos minhas