Semáforos...
Às vezes penso que, se tivesse semáforos em casa, de manhã seria o amarelo.
Acordar com cuidado. Ir devagar nos gestos. Sem ruído. Deixar-me perceber que o dia começou.
Verde para o chá fumegante, para um livro aberto, para me amarfanhar no sofá e ver um filme. Verde para me arranjar sem ter de sair, comer o que me apetecer, pôr uma música a tocar ou simplesmente ficar.
Verde para as coisas que faço não porque têm de ser feitas, mas porque me apraz fazê-las.
O vermelho reservava-o para a preguiça. Para aquilo que não me apetece fazer e que, afinal, pode esperar. Para os dias em que parar também é uma forma de cuidar de mim.
Talvez fosse bom viver assim, com pequenos sinais luminosos a dizer-nos quando avançar, quando abrandar e quando ficar.
E talvez algumas pessoas sejam como semáforos.
Há expressões que são vermelhas e nos fazem parar. Outras são amarelas e nos pedem cautela. E depois há aquelas que, sem dizerem uma única palavra, ficam verdes.
Como um semáforo verde para peões, a tua expressão foi uma autorização silenciosa, um sinal para eu avançar.
Mas não avancei...
Imagem "Pinterest"
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