Anatomia das Palavras...








Palavras sopradas pelo vento voam em minha direção. 
E abraçam-me. 
Só porque sim.

Visualizo o momento num retrato a preto e branco.

Levanto a mão, como faria um índio, num gesto de paz, e conquisto o direito de ser ouvida. As palavras caem-me aos pés, rendidas. Sabem que os blocos de gelo também choram quando derretem. 

Não podem abraçar-me só porque sim.

A distância, sobrevive salgada como a água do mar, que respira ondas. 
Eu respiro silêncios, despedidas, esperas e nadas. 
A resiliência de quem aprendeu a ser e a estar exatamente como quer ser e estar.

Reconcilio-me com o vazio que nem sinto. 
Não me desinquietem as sombras que se aninham em palavras vãs. Não me abracem.

Não podem abraçar-me só porque sim.

Comentários

  1. As pedras de gelo que choram são tão verdade passa-nos tão ao lado...
    Muito bem Romi. Um abraço

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  2. "Eu respiro silêncios, despedidas, esperas e nadas."
    Uiii! O que dizer depois de ler uma frase destas?
    Palavras fortes. Sentimentos e emoções ainda mais fortes.
    Abrçao.

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