Sombras em janelas vazias...




Os medos adormecem dentro dos meus bolsos, dobrados como cartas que nunca tive coragem de enviar. Carrego sombras inteiras nos ombros, silhuetas em janelas onde alguém ainda espera por alguém.

Há palavras que chegam tarde, outras chegam vazias. Encostam-se ao meu nome como aves cansadas, mas eu já não abro as mãos para as recolher. Abro-as para as deixar partir devagar. Sem promessa de horizontes.

O mar devolve ondas. Não implora permanências. O vento respira sozinho.

Reconheço-me naquilo que não quero. O vazio esconde-se comigo no escuro e resiste. Há uma cumplicidade qualquer nas tardes de novembro que se despedem sem pressa. Há um conforto qualquer nas ausências que continuo a querer.

Não fico sozinha só porque sim.



Comentários

  1. Parto hoje de uma estadia perto da FF. Levo o mar para o escrever. E encontro-o aqui...
    Espero que as palavras lhe dêem fala. Dias a sós Romi. Horas estranhas como as suas.
    Um abraço

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    Respostas
    1. Estive em junho na FF. Tinha de conhecer o Vila Galé. Não desiludiu.
      Eu, que não gosto de horas, as estranhas são as únicas que suporto na vida.
      Boa estadia. Um abraço

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