Sombras em Janelas Vazias...
Os medos adormecem dentro dos meus bolsos, dobrados como cartas que nunca tive coragem de enviar. Carrego sombras inteiras nos ombros, silhuetas em janelas onde alguém ainda espera por alguém.
E sigo. Sigo sempre entre o que sei e o que desaprendi.
Há palavras que chegam tarde, outras chegam vazias. Encostam-se ao meu nome como aves cansadas, mas eu já não abro as mãos para as recolher. Abro-as para as deixar partir devagar. Sem promessa de horizontes.
Já vi o mar devolver ondas. Não imploro permanências. O vento também aprendeu a respirar sozinho.
Reconheço-me naquilo que não quero. O vazio esconde-se comigo no escuro e resiste. Há uma cumplicidade qualquer nas tardes de outono que se despedem sem pressa. Há um conforto qualquer nas ausências que continuo a querer.
Não fico sozinha só porque sim.

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