"Obrigado de papel"...

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A esplanada, fantástica, quase vazia. Sentei-me e reparei no aviso: não há serviço de esplanada. Entrei. O espaço era pequeno. Uma vitrine exibia os pratos já compostos, peixe ou carne, que por sua vez eram depositados num tabuleiro e deslizavam pelo trilho de metal, como se fosse uma linha de montagem, rumo ao pão, à bebida, à sobremesa e, por fim, à caixa de pagamento, onde a funcionária se limitava a receber. O "muito obrigado" vinha impresso no talão.
Sei que este tipo de serviço, hoje em dia, é vulgar, sobretudo nos Centros Comerciais, num restaurante de rua não estava à espera. Lembrei-me da primeira vez que almocei no refeitório da Faculdade. Naquela época, o conceito de self-service era, para mim, uma novidade. No primeiro dia deixei vários colegas passarem à frente, apenas para entender a "coreografia" do processo. Claro que a senha era pré-comprada, e havia uma funcionária a orientar o serviço.  Mas a maior diferença é que, enquanto na altura a refeição era feita em mesas coletivas, promovendo a socialização, hoje cada um leva o seu tabuleiro para a mesa mais isolada. O cuidado de cada um em não se cruzar demasiado com os outros. 


Hoje, as mesas estão cheias de pessoas sozinhas.
Talvez seja apenas a evolução: as máquinas agradecem a eficiência, e nós habituamo-nos ao silêncio.

 

Nota: a foto não corresponde à esplanada referida no texto. Foi tirada numa hamburgueria (que adorei) nas Caldas da Rainha e aproveitei para a partilhar aqui.

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