Metamorfoses do silêncio...




 



Parte-se o silêncio em dois,

o barulho cai em ruínas.



Empurro o tempo

e afasto o futuro.

 



No ar,

o cheiro a café mistura-se

com as notas da Valsinha

de Vinicius e Chico Buarque.



E eu também amanheci em paz.

 



Resignação

em gesto brando.



Abraços que resgatam

dias iguais.



Pudor

desarrumado num canto

confere uma ausência.

Um vazio.

 

Segredo revelado na margem indivisível

da metamorfose do silêncio.

 



"E então ela se fez bonita

Como há muito tempo não queria ousar

Com seu vestido decotado

Cheirando a guardado de tanto esperar."



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