Sombras em azul ...

Um pensamento parado, de cor azul. Azul da cor do silêncio que a chuva lavou.
Um desejo inerte, ao relento, como uma página riscada. Ou o copo meio cheio. O relento também é azul, como o pensamento, num diálogo a duas sombras.
Incoerências cronológicas na ausência. Desconcertante como um rio que recusa desaguar porque tem medo do mar.
É no ontem que semeamos os momentos que colhemos, mas continuaremos a dizer até amanhã, até logo, até depois—nunca até ontem.
Porque um amo-te implica um eu também. Porque sim. Ou simplesmente porque sei lá.
Vaguear por aí, desabitada de olhares vagos, recolhendo beijos deixados no tempo. Prendendo abraços. Libertando memórias—azuis—da cor do pensamento. E do relento. O relento é azul.
Reflexo esbatido, como sombras envergonhadas que as nuvens tocam ao sabor da imaginação.
Perco-me e reencontro-me nesses afetos, para logo desistir, diluída no fumo das palavras queimadas. Que a verdade queimou.
Transfiro-me definitivamente para o lado azul, sem nada a declarar.
E, em papel timbrado, registo o abraço, para que seja eterno.
Como é eterno o pensamento ao relento, o lado azul do silêncio, que a chuva lavou.
Foto tirada na Nazaré
Fico cansada de escrever sempre bem daquilo que escreves!
ResponderEliminarE eu não me canso de te agradecer. Às vezes nem tenho como.
ResponderEliminarBeijinho em azul
O azul, nada a dizer. Que as outras cores não se ofendam, por tão bem escrever.
ResponderEliminarBoa noite e boa semana, querida ROMI.
Beijinhos
Muito obrigada, querido José. Pelas palavras sempre simpáticas e por tudo.
ResponderEliminarBeijinho grande. Boa semana.
Gostei das palavras sem cor mas cheias de tons de azul.
ResponderEliminarParabéns
Muito obrigada. Boa semana.
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