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Sombras em azul ...

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  Um pensamento parado, de cor azul. Azul da cor do silêncio que a chuva lavou. Um desejo inerte, ao relento, como uma página riscada. Ou o copo meio cheio. O relento também é azul, como o pensamento, num diálogo a duas sombras. Incoerências cronológicas na ausência. Desconcertante como um rio que recusa desaguar porque tem medo do mar. É no ontem que semeamos os momentos que colhemos, mas continuaremos a dizer até amanhã, até logo, até depois—nunca até ontem. Porque um amo-te implica um eu também. Porque sim. Ou simplesmente porque sei lá. Vaguear por aí, desabitada de olhares vagos, recolhendo beijos deixados no tempo. Prendendo abraços. Libertando memórias—azuis—da cor do pensamento. E do relento. O relento é azul. Reflexo esbatido, como sombras envergonhadas que as nuvens tocam ao sabor da imaginação. Perco-me e reencontro-me nesses afetos, para logo desistir, diluída no fumo das palavras queimadas. Que a verdade queimou. Transfiro-me definitivamente para o lado azul, sem nada a de...

Sentir...

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Folheei ondas do mar, como se fossem páginas soltas de uma história por contar ...          

ENQUANTO HOUVER MAR...

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"Aqui nesta praia onde Não há nenhum vestígio de impureza, Aqui onde há somente Ondas tombando ininterruptamente, Puro espaço e lúcida unidade, Aqui o tempo apaixonadamente Encontra a própria liberdade." Sophia de Mello Breyner Andresen   "Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. A tua beleza aumenta quando estamos sós E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho. Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só para mim." Sophia de Mello Breyner Andresen                     Adequadamente só. Adequadamente feliz. Porque eu sou da terra do mar.   Hoje é o dia Mundial do mar...  Fotos e vídeo do meu a álbum "eu e o Mar"    

SALPICOS DE MAR...

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"Ainda um dia viverei num lugar em que o único barulho será o das gaivotas e das ondas do mar." Michael Hayssus   Pegar na trouxinha e assentar arraiais num único sítio (em tempo de férias), não é para mim. Dizem-me : "mas assim passas a maior parte do tempo em viagem".  E eu raladinha! Os hotéis na Ericeira estavam a um preço incomportável. Mafra, a dez minutos de distância, foi a opção, mas só para dormir. Eu adoro voltar aos sítios onde já fui feliz e há muito que não voltava à Ericeira. Em cada recanto há salpicos de beleza. Há cheiro a mar. As gaivotas. Ai as gaivotas...  Michael Hayssus, meu querido, ias ser feliz aqui...                Convento de Mafra.   O guardião do parque de estacinamento do hotel.   "(...)  Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não." Sophia de Mello Breyner Andresen  FOTOS BY ME   

EM PASSO PLANEADO...

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Apertei os sapatos em ritmo de Adeus. Parto em passo planado, com o sol em poente, reivindico uma gaivota triste como complemento de paisagem. Só depois me afasto, sem carácter de urgência. Vestida de preto, com salpicos de silêncio e um apontamento a designar, levo nas mãos acenos gastos à força de tanto serem usados. Remeto-as à inercia! Pela primeira vez não olho para trás num gesto póstumo. Há "nós" e laços, há agora um projecto de consciência em ruína. Atirei, como uma noiva, um ramo de crisântemos. Lamento imenso se alguém o apanhou...  "Ele foi sempre um mar de inverno, ela quis ser uma gaivota de verão."   Foto by me      

PORQUE HOJE É DOMINGO...

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    Aos domingos visto-me de branco, solto o cabelo e sorrisos e ponho gravata.. Vou por aí, com rumo incerto, como gaivotas desnorteadas que perderam o mar. Faço do sol o meu melhor amigo, ignoro as horas.Os ponteiros do relógio são simplesmente pormenores mal situados. Aos domingos tenho a semana à porta. Agitada, turbulenta. É lá que fica, não reúne condições para entrar ...