A CASA DA MINHA AVÓ ...

A casa da minha avó tinha um candeeiro a petróleo, cortinas em vez de portas e umas colheres de ferro, muito pesadas, com que comíamos as migas tostadas que ela fazia ao pequeno almoço.
A casa da minha avó, tinha aranhas debaixo da cama e sapatos pendurados nas vigas do teto do quarto. Também pendurava chapéus de chuva e outras coisas que a memória me falha. O quarto tinha duas camas, com colchões de palha, com um rasgão ao meio. Por cima da minha cama, a minha avó, pendurava uvas, para secarem e se transformarem em passas.
Na casa da minha avó eu comia as uvas, penduradas por cima da minha cama e antes de se transformarem em passas. Fazia bolas de lã com o pelo dos cobertores. A minha avó ralhava e eu não me importava, continuava a fazer bolas de lã.
Na casa da minha avó, não havia histórias ao deitar, nem canções de embalar. Havia o barulho que a minha vó fazia a comer tremoços e comia tremoços noite fora.
Na casa da minha avó, havia cadeiras de palha, à volta do lume, e um púcaro de esmalte vermelho, com água sempre a ferver. E uma panela preta, com três pés, onde a minha avó, às vezes, fazia a sopa. E havia sapatinhos, na chaminé, caso fosse Natal. A minha avó, prometeu-me um burro, no Natal, porque eu queria um burro. Eu prometi, à minha avó, que quando crescesse lhe comprava um camião cheio de loiça.
A minha avó nunca me comprou o burro. Eu nunca lhe comprei o camião cheio de loiça, porque não cresci, ela não me deu tempo.
A casa da minha avó continua lá. Mas tu não estás, avó...
Saudade como eram bons os dias
ResponderEliminarE nem nos apercebíamos
ResponderEliminarParece que estou a ler sobre a casa da minha avó e dos tempos felizes que lá vivi. Que saudades!
ResponderEliminarObrigada por esta partilha, guardei nos meus favoritos - e no meu coração!
Bom fim de semana!
Muito obrigada, Sandra. Fico feliz por a ter lembrado momentos felizes. Beijinho, bom fim de semana também para si.
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