Para Onde Vão os Guarda-Chuvas...
Para Onde Vão os Guarda-Chuvas de Afonso Cruz Um livro que prende pela palavra e não pela ação. Um conjunto de metáforas interessantes, uma narrativa que cativa, mas que nunca chega a criar verdadeiro suspense. O enredo é fraco e tardio. Há uma certa urgência em chegar ao final, causada pelo cansaço provocado pelas cerca de 200 páginas iniciais, excessivas e, muitas vezes, supérfluas. Não interessa verdadeiramente o que vai acontecer, nem a quem. Apesar da empatia por uma das personagens, Isa, não é por aí que o livro prende. Prende pela esperança de surpreender. De ainda conseguir surpreender. Às vezes, um capítulo, uma página ou até um parágrafo conseguem salvar um livro. A escrita é fluida e não chega a maçar, mas havia potencial para mais. Tem 590 páginas. Neste caso, menos teria sido mais. Ainda assim, acho que o livro tem mérito literário genuíno. Não me parece vazio nem pretensioso no mau sentido. Só me parece um livro que privilegia tanto a textura da escrita que acaba po...