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Horas tortas...

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  Relógios trocados, Momentos suspensos. O ponteiro do relógio que dança, hesita entre avançar ou recuar. O gesto cala a palavra que nasce.. O tempo escapa entre os dedos da despedida disfarçada de convite. Desarruma-me este silêncio. Que se deite connosco. Eu não pergunto nada. Em adeus anunciado...   Imagem Pinterest

Silêncio em tons de verde...

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    As sílabas soltam-se das palavras e formam um labirinto com sombras, permanentemente mudas, na ânsia de um adeus póstumo. Não, não há palavras assim! Fuma mais um cigarro — que eu não conto porquê.  Apaga a luz ao sair, quero desligar-me no escuro. Foi o que disse a saudade, ocupada em nascer e morrer, num silêncio que quase cala as palavras forradas de sílabas verdes. Não, não há palavras assim! Na metamorfose do nada, verde foi também o reflexo do teu olhar no meu. Quis-te com o medo de tudo ser impossível — e ganhei. Há vitórias assim! Por vezes, sinto esta vontade estranha de fazer minutos infindáveis de silêncio, por mim. Por vezes, deixo os minutos intactos e olho o teu casaco sobre o meu. Há abraços assim! No desalento, morri ontem. Estou tão cansada! Sou feita de momentos. Quero lágrimas na despedida — uma ausência não me basta. Quero uma história de amor com princípio, meio e fim. Há histórias assim!

Pecados consentidos...

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  A noite tem a cor que eu gosto, tem fantasmas do meu tamanho. Tem medos que adormecem e me deixam dormir também. Na hora do excesso permitido, bailam pecados em meu redor. Eu escondi-me muito pouco... Fugaz mendiga das horas paradas, ampliadas num suspiro qualquer. Existem palavras soletradas, esculpidas em pedra dura, que não se cruzam. No silêncio, não há palavras cruzadas. Eu sei, e tu sabes. Perto ou longe, nunca seremos nós...