As sílabas soltam-se das palavras e formam um labirinto com sombras, permanentemente mudas, na ânsia de um adeus póstumo. Não, não há palavras assim! Fuma mais um cigarro — que eu não conto porquê. Apaga a luz ao sair, quero desligar-me no escuro. Foi o que disse a saudade, ocupada em nascer e morrer, num silêncio que quase cala as palavras forradas de sílabas verdes. Não, não há palavras assim! Na metamorfose do nada, verde foi também o reflexo do teu olhar no meu. Quis-te com o medo de tudo ser impossível — e ganhei. Há vitórias assim! Por vezes, sinto esta vontade estranha de fazer minutos infindáveis de silêncio, por mim. Por vezes, deixo os minutos intactos e olho o teu casaco sobre o meu. Há abraços assim! No desalento, morri ontem. Estou tão cansada! Sou feita de momentos. Quero lágrimas na despedida — uma ausência não me basta. Quero uma história de amor com princípio, meio e fim. Há histórias assim!