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Hay-on-Wye, Aldeia dos Livros...

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    Eu não tenho a mania que sou rica, só ando a treinar. Sonhar faz parte do treino. Quando certa informação, sem que eu procure, vem até mim, encaro isso como um sinal. Sinal de que esse evento me está destinado e começo a sonhar. Neste momento “estou” em  Hay-on-Wye,  uma pequena cidade no País de Gales, junto à fronteira com  Inglaterra, famosa por ser a “capital dos livros”. Existem dezenas de livrarias espalhadas por ruas pitorescas.  Algumas até funcionam ao ar livre, com estantes encostadas a muros e um sistema de “honesty box” (o cliente deixa o dinheiro numa caixinha). Possivelmente, a   LIVREaria   foi nesta particularidade que se inspirou. A história de Hay-on-Wye, também conhecida como “aldeia dos livros” começa graças a Richard Booth, uma figura muito excêntrica. Em 1960, Booth percebeu que muitas bibliotecas e livrarias nos Estados Unidos estavam a fechar e a vender livros ao desbarato. Ele comprou imensos, e enviou-os de barco para Hay-on-Wye. Ao instalá-los numa antiga...

"Não me sacudam que estou cheio de lágrimas."

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     O senhor impecável na sua camisa branca, despojada de gravata, permanecia solitário, encostado ao acrílico, na plataforma que separa as carruagens do comboio. Era o rosto do desalento, emoldurado numa barba aparada e quase grisalha. O sobretudo de caxemira cinza parecia um manto pesado, carregado de sombras e preocupações. A minha atenção focou-se nele, em detrimento do livro que tencionava ler. Olhei-o fixamente, na certeza de que, caso os nossos olhares se cruzassem, ele não me veria. Nas entrelinhas da expressão, podia ler-se as palavras de Louis Calaferte: "Não me sacudam que estou cheio de lágrimas." O comboio estremeceu e parou; as portas automáticas abriram,  ele saiu. O comboio, indiferente às histórias pessoais que transporta, continuou a sua jornada. O início da marcha foi gradual, fiquei a vê-lo da janela,  e ele foi ficando para trás até desaparecer. E não pude fazer nada. Quisera oferecer-lhe palavras de consolo ou, pelo menos, pôr-lhe a mão no ombro num ges...