Uma requisição por cumprir...
Encontrei este talão dentro de um livro. Garantidamente, não é uma requisição minha. Provavelmente, o livro comprado em segunda mão ou alguém meu conhecido incumbiu-me, algures no tempo, de uma tarefa que nunca cheguei a cumprir.
Não sei a história do talão, mas, ao encontrá-lo, veio-me uma imagem à memória. Coimbra: quatro estudantes a rir e a falar alto, um frango assado dividido entre eles e comido à mão, na rua Ferreira Borges, uma garrafa de litro de Coca-Cola e um rolo de papel higiénico a servir de guardanapos. A essência da juventude e da camaradagem universitária estava toda ali. Não havia artifícios nem etiquetas, a felicidade ali era pura, crua e despretensiosa.
Pensei, um dia, replicar a situação. Não precisava de ser em Coimbra. Queria apenas partilhar com um grupo de amigos um frango assado e um rolo de papel higiénico, comer à mão e rir muito. Mas não tenho quem me acompanhe nesta loucura. E, quando tive, não surgiu a oportunidade ou não me lembrei.
Diria que este talão apareceu com vinte anos de atraso.

Esse talão do Portugal Romano na Biblioteca de Coimbra é uma autêntica cápsula do tempo. A tua memória da Ferreira Borges, com o frango assado e a garrafa de litro, resumiu na perfeição o que é a liberdade despretensiosa. Há dias, numa sessão de arrumações em Braga, resgatei algo parecido: o meu cartão de leitor n.º 6500 da Biblioteca Municipal de Sintra. Parecem pedaços de outra vida a pedir para não serem esquecidos. E fica a nota: a ideia do frango assado à mão com rolo de papel higiénico não é loucura nenhuma — é pura sabedoria de vida que merece ser replicada a qualquer altura!
ResponderEliminarAdoro quando um livro ultrapassa a sua função e me surpreende com presentes destes. A tua última frase remete-me para a imagem futura de um grupo de velhotes que, para além dos elementos da réplica, seguram também bengalas (risos).
Eliminar