Entre o escritor e a obra...





João Tordo, em Águas Passadas. Foi um livro que não me cativou. Ponderei deixá-lo a meio. Escreve fluidamente, é certo, mas sem o cuidado de embelezar um parágrafo que seja. É o deixar ir. Faltou-lhe a lapidação e o cuidado estético que procuro na literatura.

Não posso julgar um escritor por um único livro. Ele, inadvertidamente, lembrou-me isso quando, numa passagem, refere Sidarta, de Hermann Hesse. Um livro que adorei e que me levou a comprar outros livros do autor. Caso tivesse sido O Lobo das Estepes, um livro que me desiludiu profundamente, provavelmente teria desistido de Hesse para sempre, perdendo assim a oportunidade de descobrir literatura de excelência.
Portanto, não vou desistir de João Tordo. Aguardo outro registo.

A utilização frequente de linguagem obscena, insultos e palavrões nos diálogos também me cansou. Não só por algum pudor da minha parte, mas porque, ao repetir-se, deixou de servir as personagens para se transformar num recurso previsível. O mesmo aconteceu com as cenas de sexo de Pilar, descrições de uma intimidade deprimente. Longe de acrescentarem profundidade psicológica ou complexidade emocional, pareceram-me gratuitas e desviaram-me ainda mais da história que o romance pretendia contar.

O que mais me irrita é gostar de um escritor e não gostar da sua obra. Porque é que gosto de João Tordo? Não sei…

Comentários

  1. À sua crítica, com a qual concordo plenamente, acrescento algo que me incomoda bastante. Seja na literatura, na música ou nas artes plásticas, muitas vezes gosto da obra e não do autor.

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  2. Tenho aí um livro dele com uma história de clandestinidade à volta de Catarina Eufémia. Gostei de ler, não me pareceu nada rebuscado ou redondo. Enfim, há momentos melhores e piores .
    Um abraço Romi.

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  3. Penso que ainda não li nada sobre o autor... de facto essa escrita não agrada a todos...
    Beijinhos🌻

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    1. Já me recomendaram o próximo, depois publico caso goste ou não. Beijinhos.

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  4. Já li vários de João Tordo e gosto do estilo. Este cativou-me em particular por reconhecer os locais de Sintra onde se desenrola a acção.

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    1. Achei os diálogos muito fracos, o enredo muito previsível, etc. No entanto, a crítica tem sido muito favorável. Acompanho vários grupos de leitura e nunca li nada que se aproximasse, sequer, da minha opinião.
      Eu gosto de policiais, mas tenho os meus escritores preferidos e gosto de uma linguagem mais polida. Também reparo que, tendencialmente, as pessoas dizem bem dos livros e dos autores que leem. A minha opinião raramente coincide com a da maioria, tanto para o bem como para o mal.

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