Contacto de emergência procura-se…
Mais por hábito do que por necessidade, todos os anos compro uma agenda referente ao ano em curso.
Preencho tudo ao pormenor. Aniversários, consultas, reuniões, coisas que tenho de fazer, coisas que não posso esquecer e outras que, invariavelmente, acabo por esquecer.
Há, no entanto, uma linha que fica sempre em branco: Contacto de emergência.
Há anos que essa parte deixou de ser preenchida.
Na realidade, não tenho mesmo um contacto de emergência.
Passamos tanto tempo a construir uma vida independente que, às vezes, nos esquecemos de que há momentos em que a independência tem o seu preço. Há dias em que precisamos simplesmente de alguém que diga "deixa estar, eu trato disso, eu estou aqui".
Podia pôr A, B ou C. Mas, certamente, qualquer uma dessas pessoas já é o contacto de emergência de alguém. E de alguém de quem tem verdadeira responsabilidade. Não extensiva a mim, evidentemente.
E isto fez-me pensar que contacto de emergência devia ser uma profissão. Uma coisa contratável. Como quem contrata um contabilista, um advogado ou alguém para limpar a casa. Alguém que possa ser contactado a qualquer hora, que saiba onde estão os meus documentos, que consiga ir buscar uma coisa a minha casa, que me vá buscar ao hospital se for caso disso. Alguém que apareça. Uma pessoa que, perante o imprevisto, não precisa de parar a própria vida para acudir à minha.
"Boa tarde. Precisava de contratar um contacto de emergência."
"Com certeza. Para quando?"
"De preferência, para sempre."
A linha vai continuar em branco...

A verdade é que hoje em dia a vida anda tão acelerada que o conceito de "contacto de emergência" já nem faz sentido. Precisávamos era de um "contacto de urgência"! Alguém que não só atendesse ao primeiro toque, como já estivesse a meio do caminho antes de termos tempo de explicar o problema.
ResponderEliminarSe essa profissão existisse, o tarifário devia ser fascinante:
– Pacote Básico: Atende o telefone a dizer "estou a chegar".
– Pacote Premium: Sabe onde está o cartão de cidadão, traz um café e ainda inventa uma desculpa credível para desmarcar aquele compromisso chato.
Se serve de consolo, acho que a solução passa por colocar na agenda o número do take-away mais próximo. Em caso de verdadeira crise, pelo menos a pizza chega em trinta minutos!
Ok (risos).
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