Silêncios partilhados num banco de jardim ...
Esta é a Isabelinha.
Distinguir-se-ia pela organização, discrição, disciplina e rigor.
Vestiria de forma cuidada. Saia e casaco de estilo Chanel. Sapatos elegantes, confortáveis e de cor neutra. Sorriso tímido e penteado sofisticado.
Pouco comunicativa, medrosa e sempre atenta a tudo o que pudesse perturbar o seu isolamento, fora do horário de trabalho.
Esta é a Isabelinha. Uma pomba. A mais frágil do bando, sem nunca conseguir sentir-se parte dele.
A Isabelinha isola-se. Aproxima-se de mim quando quer comer. Partilho o meu lanche com ela e dou-lhe milho.
Às vezes, vem para a minha beira, como se eu não desse por isso. Como se fosse transparente. Não quer ser vista. Como se quisesse apenas agradecer.
Percebo-a. Também eu tenho dias em que gostava de ser transparente. De me esconder atrás do meu livro e permanecer ali, invisível.
Eu e a Isabelinha partilhamos o mesmo banco de jardim. Cada uma na sua ponta.
Entre nós existe uma ténue distância de segurança.
Uma distância que vai diminuindo.
Sempre ao ritmo e à vontade da Isabelinha.
Sem pressa.
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Isso, sim, é literatura.
ResponderEliminarTexto fluido, gostoso de se ler.
Dá pra sentir uma tênue brisa formada pelas asas da Isabelinha.
Sempre tão gentil, Filipe. Obrigada.
EliminarGostei imenso da Isabelinha. Chegou a cores e cheia de movimento. E arrulhou uma história que, além do mais, faz justiça às coitadas das pombas. E depois voou, sempre numa bonita escrita.
EliminarUm abraço Romi
A Isabelinha vai ficar feliz.
EliminarUm abraço, João Afonso.
Muito obrigada.
Bela metófora!!!🥰
ResponderEliminarBeijinhos🌻
Obrigada. Beijinhos, bom fim de semana.
EliminarNesta manhã, ler este texto, é mesmo muito bom.
ResponderEliminarSorrimos. Reflectimos. Sentimos.
E, conhecemos-te...um pouco mais.
Abraço.
Obrigada. És sempre tão generoso. Um abraço, bom fim de semana.
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