A saudade, é um poço que não tem fundo. É o outro lado do mundo...
Luís Represas
"A saudade
É um poço que não tem fundo
É o outro lado do mundo
É um barco sem navegar
A saudade
É uma coisa tão demente
Que se torna inteligente
Quando nos dá para chorar
Livra-me deste embaraço
De me julgar a afundar
Sentir ao longe um pedaço de mim
Que espera p’ra me beijar
A saudade
Já fez verter tanta água
Que o Tejo é feito da mágoa
Que não fugiu para o mar
A saudade
É ver-te de longe Lisboa
Assim como quem vê a Coroa
Da Nossa Senhora do Mar
Livra-me deste embaraço
De me julgar a afundar
Sentir ao longe um pedaço de mim
Que espera p’ra me beijar"
Descansa em paz...
Há vozes que não partem, apenas mudam de tom para passarem a fazer parte do fundo da nossa própria vida. O Luís Represas sempre teve essa mestria rara: a de cantar a saudade e a melancolia sem nunca nos retirar a paz. Havia nele uma tranquilidade digna, uma nobreza na forma de dizer o amor, a cidade e a ausência.
ResponderEliminarEle deixa-nos esse barco parado, mas um legado imenso de luz e serenidade.