O Efeito Marcellus...

 




Remarkably Bright Creatures


Não sou particularmente fã de Sally Field, nem de polvos falantes. Pelo menos era o que pensava no início. Minutos depois, estava completamente rendida a Marcellus, o polvo. Queria trazê-lo para casa, aprender com ele e ouvi-lo naquela sucessão de diálogos inteligentes, sensíveis e profundos, onde humor, emoção e reflexão se equilibram na medida certa.

Na impossibilidade de o adotar, prometo nunca mais comer polvo (efeito Marcellus) e acrescentá-lo à minha lista de animais de estimação improváveis, da qual já fazem parte um burro, um morcego, um cágado, uma lesma e um ouriço.

Em Criaturas Extremamente Inteligentes (Remarkably Bright Creatures), as personagens são pessoas comuns, com perdas, dúvidas, rotinas e pequenas fragilidades. Depois surge um elemento inesperado: um polvo com uma inteligência invulgar e uma voz cheia de ironia. Ele observa os factos, liga pistas e tira conclusões. Há quase uma inversão de papéis: o animal é o grande observador racional e os humanos são as criaturas emocionalmente confusas.

Num aquário de uma pequena cidade costeira, uma senhora idosa em luto, um jovem à procura do seu lugar no mundo e um polvo brilhante dão vida a uma narrativa emocionante, e inesperadamente profunda. Nada parece extraordinário. No entanto, quando estes elementos se cruzam, nasce uma história que dificilmente se esquece.

Comentários