Lapsos Literários...

 




Tenho uma relação peculiar com livros e memória. Entro numa livraria cheia de certezas e saio frequentemente com autores trocados, capas convincentes e uma vaga sensação de que o meu cérebro decidiu improvisar. Há qualquer coisa de bonito nisso. Como quem pede um café e recebe um chá, mas acaba por beber o chá na mesma. Talvez seja assim que algumas histórias chegam até nós. Por acidente. Por distração. Ou porque, no fundo, os livros também gostam de se meter onde não foram chamados.

Comprei “A Raridade das Coisas Banais”, de Pedro Chagas Freitas, a pensar que estava a comprar José Luís Peixoto. Depois, na Feira do Livro, trouxe dois livros de Afonso Cruz, um deles convencida de que estava a comprar João Tordo. Não sou fã de Pedro Chagas Freitas. Comecei a ler o livro e ainda não sei se o vou acabar. Talvez numa viagem de avião, sem outro à mão para o substituir. Não há livrarias nas nuvens. Adiante. Pedro a mais. Afonso Cruz e José Luís Peixoto na dose certa. João Tordo em défice permanente. Até hoje. Uma promoção tentadora levou-me a “Águas Passadas”. Não era o livro que tinha em mente, mas com 30% de desconto, pareceu-me deselegante resistir.

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