Virgulas inoportunas...

 



 

Dispo a túnica de linho branco, sinto salpicos de mar matematicamente inoportunos. Divido-me em capítulos, reservo um para ti que conservo em câmara lenta. Gesto de quem alucina porque o normal já não me basta.
Numa linguagem própria de quem sabe que chega para além de um prazo razoavelmente traduzível, mergulho nas ondas imprevistas e num gesto de estátua que não sabe morrer, salvo a palavra que caiu no vácuo sem promessa. Mas já era tarde!
Velam-se os gritos que estão vivos porque respiram. Agora tenho todo o tempo do mundo para inventar vírgulas que sepulto na região demarcada do verbo amar. Há que ter em conta que tudo pode ser em vão. Assim sendo acendo um cigarro e incendeio a saudade.
Os distúrbios das letras intelectuais circundantes…
Nem eu sei porque sou assim!

Comentários

  1. Vim à procura do mar nestas tuas letras e acabei a incendiar a saudade contigo. É sempre um prazer ler-te sem pressas.

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    1. Obrigada, Daniel. Sempre simpático. Passei pela tua Honda, em memória dei uma voltinha na Vespa, azul, que era do meu pai. Sublinhei algumas frases, " a ideia de que a naturalidade também pode ser um destino." Vou plagiar-te: É sempre um prazer ler-te...

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    2. As letras têm estas derivas curiosas: saí para uma volta na Honda e acabei à boleia de uma Vespa azul, herdada de memórias alheias que agora também sinto um pouco minhas. Saber que a minha naturalidade encontrou sublinhados no teu olhar, Romi, é a prova de que o blogue é, afinal, um objeto de coleção partilhado.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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