Exílio Sem Cor ...

 










É manhã. Desprendo-me de mim. Adormeço com palavras em forma de poema. Acordo com palavras mudas, pensamentos com forma e sem vibração.

É manhã. Eu já cá não estou! É como se o dia viesse e me levasse para um sítio onde não quero estar. Logo à noite, talvez regresse… frágil, desamparada, inocente. Mas agora tenho de ir, infiltrar-me no mundo dos outros, distribuir simpatias e sorrisos ensaiados.

O meu mundo é a preto e branco, e obrigam-me a afagar o arco-íris. Não quero pisar caminhos já trilhados, nem ser protagonista de uma história que morre de tédio terminal. Mas, enquanto a noite não vem, tenho de ir e sentir que estou a ser integrada acima das minhas possibilidades, camuflando uma louca ilusão…

A ilusão de que, algures, num sítio a definir, secreto, em que é reservado o direito de admissão... exclusivo para pessoas que vivem a preto e branco …, há lugar para mim.

É dia, e a vida não para. Continuam a nascer e a morrer pessoas. Pergunto se não terei morrido também… ou se sobrei apenas um bocadinho.



Comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Muito bom.. a forma como dançam as palavras diz tudo.
    E igualmente bom é encontrar blogs que eram do Sapinho (como eu lhe chamo e continuarei a chamar) e agora estão por aqui..
    Esta plataforma é estranha.. conseguimos eliminar os comentários que acabámos de fazer nos blogs dos outros... eu fi-lo porque me enganei...
    O importante é que gostemos do que lemos :)

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    Respostas
    1. Eu já acho esta plataforma simpática. De inicio estranhei, mas já me adaptei.

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