Despir o dia...
Não me posso queixar daquilo de que gosto. Jamais me queixarei do gelado de Caramelo Salgado, embalagem familiar. Também não me vou queixar deste calor imenso. Posso dizer que tenho saudades de chegar a casa e despir a minha gabardina preta, que me protege da chuva, do frio e me confere alguma privacidade. Curiosamente, gosto mais da minha roupa de inverno. Mas o foco é o calor.
É esperar pelo comboio seguinte para não ficar comprimida entre gente. Quando vou para casa nunca chego atrasada, chego sempre a tempo. Posso perder todos os comboios do mundo.
Entrei e sentei-me junto à janela. Rapidamente o comboio encheu. Uma senhora sentou-se ao meu lado e metade dela encostada a mim. Viemos a conversar animadamente. Coisa rara.
Ela desceu duas estações antes da minha. Tive pena. Apetecia-me trazê-la para jantar comigo. Coisa rara.
Chegar a casa. Entrar vestida na cabine de duche, água na pressão máxima. Despir-me, peça a peça, do comboio, do calor, da senhora encostada a mim. Despir-me do dia, do cansaço, das pessoas todas.
Até ficar nua.

Olá, Romi. Estás bem? Adorei este teu post, sobretudo a gabardina. Muito encantador.
ResponderEliminarOlá, Fred. Somos novamente "vizinhos". Obrigada por gostares. Um abraço.
EliminarÉ bom chegar a casa. Ontem refiz de base a cssa nova aqui nesta terra. Mudo a 1 de Julho de manhãzinha.
ResponderEliminarUm beijinho Romi
É bom chegar a casa. Ontem refiz de base a cssa nova aqui nesta terra. Mudo a 1 de Julho de manhãzinha.
ResponderEliminarUm beijinho Romi
Cá o aguardo, João Afonso. Beijinho.
EliminarEscelente, esta versão romântica que se vive no aperto ferroviário, diário.
ResponderEliminarO romântico teve graça. Eu quase esmagada, pela senhora, e a morrer de calor. Mas tudo acabou bem.
EliminarContinuam a faltar-me os favoritos. Fica o registo, mais uma vez. Uma boa continuação de semana, Romi!
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