Analfabetismo do ruído…
Há quem subestime o silêncio. No seu lugar, usa-se o ruído como arma de arremesso, uma tentativa de diminuir o outro mesmo onde não existe ameaça. E nesse barulho mal alinhado, perde-se algo raro: o encantamento de ser visto com atenção. A admiração, quando não é cuidada, desvanece.
Ao tentarem rebaixar o outro, as pessoas destroem o próprio degrau onde poderiam ser elevadas. Tornam-se peças de um puzzle que já não encaixam. E o mais inquietante é perceber que não é a falta de valor que impede o ajuste.
O silêncio, quando é inteiro, constrói espaço. O ruído, quando é vazio, apenas o ocupa sem nunca o preencher. No fim, quem quer diminuir é quem acaba por se tornar menor.
Com o tempo, percebemos que o eco do que dizemos atinge-nos. O que é lançado sem cuidado não se dissipa, acumula-se em quem o lançou. Já o silêncio permanece como a medida exata de tudo o que não precisou de ser reduzido para conseguir existir.
Há palavras que não elevam nem questionam, apenas desgastam.
E ao refletir sobre isto, não me coloco fora do ruído que observo, porque também posso habitá-lo.
Foto tirada na Bertand do Chiado

O silêncio é ouro. Lugares comuns à parte, já quase só faloo em esporádicas estadias com amigos ou ao fim da tarde, umas futebolices e uma cerveja. O almoço é só comigo. As perdigueiras falam pouco, o seu entido é o olfacto. Acho que o vou treinar também
ResponderEliminarO mais é escrita. E assim lhe escrevo, Romi, - u-m b-e-i-j-i-n-h-o.
Ultimamente tenho alguma dificuldade em "perceber" os seus comentários. O ruído a que me refiro provém da escrita. Tenho a certeza que percebeu isso. Mas treine o olfato. Bom fim de semana, beijinho.
Eliminar