Oscilações de mim...

Era um dia sem Outono, véspera de um Novembro triste.
Desapego sem lágrimas, num rosto que foi feito para sorrir e desistiu.
Às vezes, gostava de ser Novembro ou Dezembro.
Outras vezes, gostava de ser eu e ir-me buscar onde fiquei.
Às vezes, gostava de ser conceito, preconceito, de sonhar.
Outras vezes, gostava de ser desprendida, ida sem volta e brindar ao desencontro.
Às vezes, gostava de ser palavras, sorrisos, desdém.
Outras vezes, gostava de ser desconcertante, confusão, maldição e aplaudir no final.
Às vezes, gostava de ser nostalgia, reflexo, medo ou saudade.
Outras vezes, gostava de ser afectos,  angústia e esquecer-me de mim.

Mas só às vezes. Nas outras, sou mesmo assim...


10410854_779547995410103_4326012569240169161_n.jpg


 

Comentários

  1. É um grande privilégio ser tudo de bom, brincar ao faz-de-conta, viver na leveza dos sonhos.
    Boa noite, querida ROMI.

    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  2. Mesmo assim significa sempre uma dúvida enorme acerca desse ser que é "mesmo assim".
    Mas que utiliza as palavras com a maior mestria.
    Um abraço Romi.

    ResponderEliminar
  3. Bom dia, querido José. Eu não sou tudo de bom. Nem eu própria me recomendo (risos), o privilégio é ter alguns valores que vão camuflando os defeitos.
    Beijinho grande, meu amigo.

    ResponderEliminar
  4. O João Afonso com as suas dúvidas e eu sem certezas, parece que coincidimos.
    Um abraço, João Afonso.

    ResponderEliminar
  5. Muito bom!
    Somos muitas coisas, muitas pessoas numa só e, algures, somos apenas nós mesmos.
    Beijinhos e bom fim de semana!

    ResponderEliminar
  6. Obrigada, Marta. Somos realmente um pouco de tudo, dependendo das circunstancias. E é a junção das várias características que forma a nossa verdadeira essência.
    Beijinho, bom fim de semana.

    ResponderEliminar
  7. O que vale é que hoje, com as novas tecnologias, nomeadamente o GPS, é sempre possível nos encontrarmos onde ficamos. O problema é quando o eu que regressa, se atrasa na hora marcada pelo eu que ficou.

    ResponderEliminar
  8. Agora fez-me rir, o GPS já é o que é, com esse "não vai nem fica" colapsava sem retorno. Nem o GPS me aguenta, acredite.
    Um abraço, bom fim de semana.

    ResponderEliminar
  9. Gostar de ser é importante; e para ser é preciso ser diferente.

    ResponderEliminar
  10. No "Poema em Linha Reta", de Fernando Pessoa, ele diz que está farto de semideuses. Eu também estou um bocadinho. E reconheço que sou ingrata, desconcertante, desprendida, injusta e irrita-me que me digam: "não és nada".

    ResponderEliminar

Enviar um comentário