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Entre o Olhar e o Ver…

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  Como quem pega num amigo, peguei em mim e fui a Sintra. Claro que tinha uma reunião, mas isso é apenas um pormenor. Cheguei demasiado cedo. Vou frequentemente a Sintra, pela proximidade e pelo prazer de aqui vir. Quantas vezes passamos pelos mesmos sítios sem os vermos realmente? Entre azulejos e o silêncio de uma estação vazia, descobri a diferença entre o simples olhar e o verdadeiro ver. Foi como se visse a estação de Sintra pela primeira vez. Nunca tinha reparado na riqueza daqueles azulejos, nem na harmonia do conjunto. Talvez por estar anormalmente vazia àquela hora, a estação, despida, revelou-se em pormenor, ampliando detalhes e chamou a minha atenção. A qualidade das fotos não alcança a beleza do que vi. Ainda assim, ficam como tentativa de registo, de um momento em que parei para ver.

Retiro de Leitura...

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Porque eu mereço...   São vários os filmes e livros que falam em retiros para escritores. Dada a impossibilidade, não sou escritora, pesquisei e descobri que existe o conceito de retiro para leitores. Como não gosto de andar aos pares, permiti-me um retiro de leitura só para mim. Arrumei silêncios na bagagem, um só livro, um bloco de notas para rabiscar pensamentos e memórias. Instalei-me no Hotel Vila Galé, em Colares. Foi um reencontro comigo mesma, feito de páginas, pausas e sossego. Lia à beira da piscina ou no bar do hotel. O ponto alto? Descobrir um espantalho a guardar a horta. Sempre tive uma fixação por espantalhos (a história da minha vida). A varanda do quarto, a que chamo esplanada, estava reservada para escrever. Uma mesa e uma cadeira bastavam para que o momento coubesse inteiro num parágrafo. Entre rascunhos e rabiscos, sorvia o tempo como quem aprende a respirar devagar.   Fui simpática, diria mesmo uma verdadeira tagarela. Acalmei os ânimos quando o alarme disparou, um...

Silêncio, estamos em Sintra ...

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  Sintra, à noite, transforma-se, ostenta um manto de mistério. Veste-se de gala e de respeito. O silêncio impera como um código secreto. Ninguém ousa falar alto. Sussurros e risos abafados são a norma, para não quebrar o encanto. De todas as caminhadas noturnas em que participei, só em Sintra senti este efeito. Dentro da localidade, era-nos pedido que fizéssemos o mínimo barulho, para descanso dos residentes. No interior da serra, essa necessidade não existia, mas, por efeito coletivo ou não, todos murmuravam, ninguém falava alto. Sintra, à noite, não é um lugar, é uma sensação. É a simbiose perfeita de tudo o que representa, a harmonia mística, a magia das lendas e contos. Segredos escondidos em cada recanto. Caminhar pela serra de Sintra, à noite, é como entrar num conto de fadas, cada sombra parece contar uma história, que nos embala, e não apetece sair.       Fotos do meu álbum "Caminhadas" com o grupo "Pegadas Noturnas".  As fotos não são da minha autoria.  

"TUDO EM SINTRA É DIVINO, NÃO HÁ CANTINHO QUE NÃO SEJA UM POEMA”

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"TUDO EM SINTRA É DIVINO, NÃO HÁ CANTINHO QUE NÃO SEJA UM POEMA” EÇA DE QUEIRÓS, OS MAIAS.   Acordar cedo. Sintra ali ao lado. Ainda adormecida, envolta na capa de neblina mística ou romântica, que se vai desvanecendo lentamente, mas só às vezes.  E eu ali. Ninguém me viu e eu não vi ninguém.        Fotos minhas