Meu Deus, vou ficar rica! Pensei. E, de imediato, me imaginei vestida de amarelo, com um chapéu de abas largas da mesma cor, a desinquietar o senhor Ambrósio porque me apetecia tomar algo. Deixei de fumar. Pelo menos já não fumo há cinco meses. Jamais saberei se é para a vida toda. A última tentativa não correu muito bem. Desta vez, a musa inspiradora foi uma longa viagem de comboio. Não, não é no Expresso Oriente. Para ficar a um preço suportável, teria de integrar um grupo de pelo menos cinco pessoas. Cruzes credo! Quem gosta de viajar sozinho percebe-me. É uma simples viagem de comboio pela Europa. Para quem fuma, viajar é sempre stressante, mesmo que as viagens sejam curtas. De avião a alternativa é escolher voos com escala e não cortar as unhas nos dois meses antecedentes. Viajar. Foi isso que me levou a deixar de fumar e, até agora, com sucesso. Tenho mais saudades dos meus momentos com o cigarro do que do cigarro em si. Não fiquei rica. Nem ganhei mais paladar, olfato, pele...