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Fora de Horas...

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    Para mim, um relógio de pulso não precisa dar horas. Basta ser bonito. Pode estar parado. Uso-o só como adereço, uma pulseira com mais pormenores. Por norma uso dois, às vezes três, um mais pequenino, quase camuflado, e uma série de pulseiras a disfarçar. Estranho que nunca me tenham dito nada. As pessoas costumam chamar a atenção para o que usamos, como se não soubéssemos o que estamos a usar. Nem quero saber o que pensam, até porque, provavelmente, também não devem saber o que pensar. À primeira vista, pareço uma pessoa normal. E surpresa das surpresas, quando uma colega, ao passar-me um dossier, exibe no pulso não um, mas dois relógios. Ignoro. E de tanto ignorar, já é prática comum: no escritório, todas usamos, por norma, dois relógios. Às vezes três. Hoje, com tantos meios à nossa disposição para ver as horas: telemóvel, computador, aparelhos domésticos, outdoors luminosos , etc., faz mais sentido usar o relógio, para quem gosta, apenas como adorno. Dizem que o tempo passa dep...

Rebeldias...

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Na habitual forma egoísta de evitar ficarem preocupados, as tropas não queriam que eu fosse à passagem de ano com amigos. Depois de muitas negociações, até prometi usar o relógio no braço esquerdo (para a minha madrasta era um manifesto ato de rebeldia usar no direito), o ultimato: posso ir, mas não posso levar o meu carro. Carro esse, estrategicamente estacionado de modo a ser controlado da janela. Falhei na promessa com o relógio, mas aí cumpri. Não levei o meu carro, roubei o carro ao meu pai, estacionado em ângulo morto. A esta distância, sinto que não lhes facilitei a vidinha. Gorei todos os planos que tinham para mim. A minha também não foi facilitada, apesar de ter feito sempre o que quis, nunca nada foi feito como quis: era o fato de treino sobre a minha roupa normal e avisar que chegava tarde, tinha treino de basquete. Era sair com a saia pelo joelho e dar duas ou três voltas no cós para que ficasse dois palmos afastada. Era subornar, com beijinhos, a porteira para que me entr...

PORQUE HOJE É DOMINGO...

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    Aos domingos visto-me de branco, solto o cabelo e sorrisos e ponho gravata.. Vou por aí, com rumo incerto, como gaivotas desnorteadas que perderam o mar. Faço do sol o meu melhor amigo, ignoro as horas.Os ponteiros do relógio são simplesmente pormenores mal situados. Aos domingos tenho a semana à porta. Agitada, turbulenta. É lá que fica, não reúne condições para entrar ...