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Plano B...

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    A minha consciência é uma simpatia. Ao sentir-me apreensiva por se adivinhar uma madrugada com vento em excesso de velocidade, pergunta-me, muito solícita: O que te fazia feliz? Uma viagem, respondo eu. Burrraaaa, deve ter dito para com os seus botões, se é que a consciência tem botões. A minha deve ter. Vento e tal… não queres pensar melhor? Ok, plano B. Livros. E pronto, fomos as duas para a Bertrand online. Agora é rezar para que o carteiro seja um querido e não atrase a entrega. Entretanto, ficam os versos que me inspiraram esta noite. Armários na noite,  Alice Vieira "esperar que voltes é tão inútil como o sorriso escancarado dos mortos na necrologia dos jornais e no entanto de cada vez que a noite se rasga em barulhos no elevador e um telefone se debruça de um sexto andar sinto que ainda ficou uma palavra minha esquecida na tua boca e que vais voltar para a devolver." Poesia Reunida, Maria do Rosário Pedreira "Deixei de ouvir-te. E sei que sou mais triste com o...

O sopro (anónimo) das palavras...

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Porque hoje é o Dia Mundial da Poesia, deixo o meu apreço a tantos poetas anónimos, com obras de excelência não assinada. Os poetas anónimos oferecem ao mundo beleza sem exigir reconhecimento, e isso é, por si só, de uma nobreza ímpar. Numa espécie de tertúlia, Odair recitou este poema, que não é dele. Nem sabe de quem é. Mas ofereceu-mo. Acho-o lindo. Queria ter sido eu a escrevê-lo. Na impossibilidade, resta-me agradecer ao Odair e, num gesto altruísta, oferecê-lo também a quem dele gostar.   Sopro das palavras  " Sabes, às vezes sinto que sou feita de vento. Que sou só um sopro, uma promessa que nunca se cumpriu. Caminho por estas ruas e ninguém me vê. Sou um nome que não ficou na boca de ninguém, um rosto que o tempo já começou a apagar. Mas eu existo... não existo? Se fechar os olhos agora, desapareço? Ou sou como a poeira, que dança sem que ninguém repare? Ah... como queria ser lembrança, ser história contada ao pé do fogo... Mas talvez eu seja só isso: um instante que passo...

"Os Cães Ladram Facas"...

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Charles Bukowski Deliciosamente desconcertante. Sem filtros, como se digitasse à velocidade do pensamento. Saia o que sair, está escrito. Adoro... "Vai ao Tibete. Anda de camelo. Lê a bíblia. Tinge os sapatos de azul. Deixa crescer a barba. Dá a volta ao mundo numa canoa de papel. Assina o 'Saturday Evening Post'. Mastiga com o lado esquerdo da boca apenas. Casa-te com uma mulher com uma perba e faz a barba com uma navalha de barbear. E grava o teu nome no braço dela. Escova os dentes com gasolina. Dorme todo o dia e trepa às árvores à noite. Sê um monge e bebe 'buckshot' e cerveja. Mete a cabeça debaixo de água e toca violino. Faz dança do ventre diante de velas cor-de-rosa. Mata o teu cão. Concorre a Presidente da Câmara. Vive num barril. Parte a cabeça com um machado. Planta tulipas à chuva. Mas não escrevas poesia."     Foto by me