O sopro (anónimo) das palavras...
Porque hoje é o Dia Mundial da Poesia, deixo o meu apreço a tantos poetas anónimos, com obras de excelência não assinada. Os poetas anónimos oferecem ao mundo beleza sem exigir reconhecimento, e isso é, por si só, de uma nobreza ímpar. Numa espécie de tertúlia, Odair recitou este poema, que não é dele. Nem sabe de quem é. Mas ofereceu-mo. Acho-o lindo. Queria ter sido eu a escrevê-lo. Na impossibilidade, resta-me agradecer ao Odair e, num gesto altruísta, oferecê-lo também a quem dele gostar. Sopro das palavras " Sabes, às vezes sinto que sou feita de vento. Que sou só um sopro, uma promessa que nunca se cumpriu. Caminho por estas ruas e ninguém me vê. Sou um nome que não ficou na boca de ninguém, um rosto que o tempo já começou a apagar. Mas eu existo... não existo? Se fechar os olhos agora, desapareço? Ou sou como a poeira, que dança sem que ninguém repare? Ah... como queria ser lembrança, ser história contada ao pé do fogo... Mas talvez eu seja só isso: um instante que passo...