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Não me sacudam ... (atualização Sapo Blogs)

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Bateu à porta levemente, deu-me a correspondência em mãos e perguntou: Estás a chorar?  Não é pergunta que se faça. Pessoas como eu são demasiado cobardes para chorar. Chorar é para os fortes.  Nós, os cobardes, temos conjuntivite, alergia, um cisco no olho... nunca são lágrimas. Nem  lhe respondi. Se dissesse a verdade, teria de confessar mais do que lágrimas. Despachei-o com um aceno, e ele continuou a distribuir a correspondência pelos vários gabinetes. Não éramos colegas. Várias firmas tinham escritórios alugados no mesmo espaço: um andar na zona do Marquês de Pombal. Por norma, ele, era o último a chegar, coincidindo com a hora do carteiro. Outras vezes, chegava tarde, e era eu a incumbida da tarefa. Havia espaço para uma breve troca de palavras.  Não éramos amigos. Imperava a cordialidade, e só. Nunca aceitei o convite para tomar café. Evitar, a qualquer custo, criar laços. E eu estava a chorar, sim. Porque era o meu último dia ali. Porque ia embora para um nov...

Ritual de Ausências...

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  Continuo a por mesa para dois  mesmo quando o sol se põe.  Continuo a alinhar conversas  em ângulos inconstantes.  Continuo a perder-me em vulgaridades  quando me sinto desarticulada de mim.  Contínuo mimada, insuportável  no modo mais discreto que consigo.  Chovem-me lágrimas na memória e sufocam-me não sei porquê quero secá-las mas não sei como...